Travessão de Campos se mobiliza em ato de conscientização sobre a violência contra a mulher após feminicídio de professora

Regiane Santos foi morta a tiros pelo ex-marido em frente a uma academia no distrito. Mais de 300 pessoas participaram do ato.

Campos
Por Redação
11 de julho de 2019 - 17h25

O distrito de Travessão de Campos se mobilizou na tarde desta quinta-feira (11) em um emocionante ato de conscientização sobre a violência contra a mulher motivado pelo assassinato da professora Regiane Santos que foi cometido pelo ex-marido no dia 3 de julho. A passeata contou com a presença de aproximadamente 300 pessoas, entre amigos, familiares e demais moradores, homens e mulheres, do local onde ela nasceu e ainda trabalhava. As três filhas de Regiane também estavam presentes vestindo uma camisa com a foto da mãe e levando rosas brancas nas mãos.

 

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O ato começou às 14h30 em frente à Escola Peter Pan, uma das três instituições onde Regiane atuava como professora, e os participantes percorreram as principais ruas de Travessão com faixas e cartazes confeccionados por colegas de trabalho e alunos da vítima com frases que retratam os inúmeros crimes que vêm sendo cometidos contra as mulheres em Campos e em todo o Brasil. Um carro de som também foi cedido e, por meio dele, estatísticas desses crimes foram anunciadas. Quando passaram em frente ao local do feminicídio, os participantes fizeram um minuto de silêncio.

Também no ato, os moradores de Travessão souberam que Regiane havia participado, alguns meses antes do crime, de um projeto elaborado no Colégio Estadual Nelson Pereira Rebel intitulado “Marias não se calem”. Nele, 10 mulheres que viviam relacionamentos abusivos ou que eram vítimas de violência contaram suas histórias. Esses depoimentos eram feitos no anonimato, mas, em decorrência do crime que tirou a vida de Regiane, os organizadores decidiram revelar que ela era uma dessas vítimas. O relato dela foi lido no carro de som e ouvido por toda a comunidade.

Segundo uma das organizadoras do ato, Hosana Martins, que trabalhava com Regiane, foi difícil conter a emoção durante o percurso. “Muitos de nós choramos durante a passeata porque Regiane era muito querida por todos. Como nasceu, foi criada e trabalhava aqui em Travessão, todos a conheciam e esse crime chocou a nossa comunidade. Essa manifestação é o mínimo que podemos fazer diante desse episódio tão triste que aconteceu aqui”, contou. Hosana disse ainda que, ao longo da passeata, muitas pessoas que trabalham nos comércios locais foram para a rua prestar também suas homenagens à professora.

A passeata ainda contou com a presença do Movimento Unificado das Mulheres de Campos e das vereadoras Joilza Rangel e Rosilani do Renê que doaram as rosas brancas levadas pelos participantes.