Estudo aponta desabastecimento de remédios em todas as regiões do país

Segundo levantamento, Dipirona é o medicamento com maior dificuldade para ser comprado

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Por Redação
1 de julho de 2022 - 17h58
Segundo a pesquisa, hospitais estão com dificuldade de adquirir dipirona e outros medicamentos (Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil)

Um levantamento coordenado por entidades científicas brasileiras apontou que ainda é grave a falta no mercado de medicamentos considerados imprescindíveis ao bem-estar dos brasileiros. Segundo o estudo, o problema é nacional e atinge hospitais públicos e privados. Segundo os entrevistados, Dipirona foi a solução com maior dificuldade para ser encontrada para compra. Preocupadas com a situação, seis entidades — como a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar e Serviços de Saúde (SBRAFH) — enviaram um ofício relatando o desabastecimento ao ministro da Saúde, Marcelo Antônio Cartaxo Queiroga Lopes e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

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A coleta de dados foi realizada entre os dias 21 e 27 de junho e contou com a colaboração de 883 respondentes, dentre eles médicos, farmacêuticos, enfermeiros, administradores e outros profissionais de saúde, de 25 estados e o Distrito Federal, compreendendo todas as regiões do país. O desabastecimento de medicamentos imprescindíveis foi relatado por 97,4% dos profissionais, independentemente do tipo de serviço e porte da unidade.

Integram o grupo que pediu providências ao governo federal: a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), o Instituto para Práticas Seguras no Uso de Medicamentos (ISMP), a Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do Paciente (REBRAENSP), a Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), a Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar e Serviços de Saúde (SBRAFH) e a Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (SOBRASP).

“Os resultados indicam que as dificuldades têm sido vivenciadas por todas as regiões do país, atingindo os diferentes perfis de serviços de saúde. Diante do exposto, ratificamos nossa preocupação, pois o acesso a estes medicamentos é indispensável ao processo assistencial. É importante ressaltar que também foram relatadas dificuldades envolvendo outros medicamentos, além dos descritos na tabela, como Solução Fisiológica 0,9% (100ml, 250ml, 500ml ou 1000ml) e Metronidazol 5mg/ml bolsa 100ml, entre outros. O desabastecimento representa um sério fator de risco, que pode aumentar a ocorrência de complicações e de mortalidade nos estabelecimentos de saúde”, diz o ofício enviado ao ministro.

Ausência

Também de acordo com o levantamento, a lista dos medicamentos com importância clínica em desabastecimento, citados com maior frequência são: Dipirona Sódica 500mg/ml 2ml injetável (com ação analgésica e antipirética); Amoxicilina (muito usado para o tratamento de infecções em pacientes pediátricos), contrastes radiológicos (indispensável ao apoio diagnóstico por imagem), Atropina – solução injetável 0,25mg/ml ou 0,50mg/ml (indicada para o bloqueio temporário de efeitos muscarínicos graves ou potencialmente letais).

O levantamento apontou que o caso é mais grave nos hospitais públicos: 47,2% dos profissionais ouvidos trabalhavam neste tipo de estabelecimento e se queixaram do problema. Já 28,9% dos entrevistados que reclamaram do desabastecimento atuavam em hospitais privados.

Veja a lista com os principais medicamentos em falta no mercado: