Paciente que esperou dois meses por cirurgia no HFM recebe alta

Jenifer Feliciano passa bem; Secretaria de Saúde foi questionada sobre outros pacientes que aguardam longo tempo para serem operados

Campos
Por Redação
30 de março de 2019 - 13h49

Jenifer Feliciano segue internada após cirurgia no HFM (Reprodução)

A jovem Jenifer Feliciano, de 20 anos, recebeu alta médica do Hospital Ferreira Machado, depois de esperar por dois meses por uma cirurgia para retirar pedras na vesícula. O problema foi denunciado pelo Jornal Terceira Via no último dia 22. Faltava um equipamento para realização do exame  CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica), avaliado em R$4,5 mil. Após publicação da reportagem, no dia seguinte, o procedimento foi feito e, no dia 25, a cirurgia realizada. A Secretaria de Saúde foi questionada sobre o porquê da demora de realização de cirurgias — uma queixa frequente de usuários do SUS, em Campos.

Em nota enviada pela Superintendência de Comunicação, foi dito que “o Prefeito Rafael Diniz trabalha de forma incansável, em conjunto com o secretário de Saúde e presidente da FMS, Abdu Neme, para levantamento e realização de casos de cirurgia eletiva, o quanto antes. Um seminário está previsto, antes mesmo da inauguração da Unidade Pré-Hospitalar (UPH) São José, para tratar do assunto. A FMS informa que é necessário analisar cada caso, avaliando questões como: risco cirúrgico (que depende da condição de saúde de cada paciente diante de uma cirurgia) ou mesmo a necessidade de regulação do paciente em outra unidade, que é feita pelo estado. Em cada caso, os profissionais da unidade de Saúde deixam a família ou paciente cientes dos procedimentos  e condutas necessárias”.

A família de Jenifer Feliciano contou que os médicos responsáveis pela cirurgia cancelaram três vezes o procedimento porque a Fundação Municipal de Saúde não havia adquirido o equipamento para o exame CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica), avaliado em R$4,5 mil. Os dois meses de espera geraram muitas dúvidas e incertezas, além dos riscos de infecção. A notícia sobre o drama da jovem para ser operada e a solução do problema repercutiram nas redes sociais. Muitos usuários do Sistema Único de Saúde comentaram dificuldades semelhantes e fizeram críticas.

A internauta Ana Paula Silva escreveu no Facebook: “Já passei por isso com minha mãe. Absurda essa situação, a paciente correndo risco de adquirir outras enfermidades ficando tanto tempo no hospital.  No hospital particular a pessoa faz cirurgia e com menos de 24 horas tem alta pra evitar infecção hospitalar”. Georgina Maria também se manifestou.  “Apesar dos problemas do Sistema Único de Saúde, ela conseguiu fazer essa cirurgia depois de quase dois meses também”. O leitor Rodrigo Santos Barbosa disse: “Tomara que mude com o novo secretário! Ele, com certeza, sabe a necessidade de cada um que ali está! Tem gente que espera há mais de dois meses”. A usuária Maria Costa Brito criticou: “O nome disso é burrice administrativa. A despesa com a paciente durante esse tempo deve ser igual ao pagamento da cirurgia em hospital particular”. Por fim,  Claudete Do Nascimento desabafou: “Tenho uma prima precisando de cirurgia também. Já deve ter uns dois meses. São duas cirurgias. Ela faz hemodiálise e numa queda quebrou a bacia e o fêmur. Não temos a quem recorrer”.

Aliviada, a família de Jenifer Feliciano relembra o sofrimento da espera.  “Ela foi mantida com soro e analgésicos para suportar as dores causadas por pedras na vesícula. Mas, agora ela está bem, fora de perigo. Daqui a 15 dias retirará os pontos e poderá viajar até Minas Gerais para buscar os dois filhos pequenos com a família paterna, que cuidou das crianças enquanto ela esteve internada”, informou Jaíne Feliciano, irmã da paciente.

Secretário de Saúde

Secretário de Saúde Abdu Neme visita unidades hospitalares (Reprodução SupCom)

Desde que tomou posse no último dia 21, o secretário de Saúde e presidente da Fundação Municipal de Saúde, Abdu Neme,  tem visitado unidades hospitalares e postos de atendimento médico do município. Um deles foi a UPH de Guarus que realiza em média 15 mil atendimentos de emergência por mês.

O Hospital Ferreira Machado, Hospital Geral de Guarus, UPH São José e UPH Travessão. E o Centro de Referência e Tratamento da Criança e do Adolescente (CRTCA 1) também foram visitados.   Abdu Neme prometeu esforços para melhorar os serviços. Ele defende a instalação de prontuários eletrônicos e qualificação de profissionais.

“Esse serviço vai ser um avanço muito grande. Principalmente no ponto de vista do atendimento, na busca por informações sobre o paciente”, disse.