​De norte a sul – dos grandes aos pequenos centros – escolha do presidente atrai todas as atenções

O Brasil a dois meses da eleição

Guilherme Belido Escreve
Por Guilherme Belido
4 de agosto de 2022 - 15h01

O povo brasileiro está em contagem regressiva para o 1º turno da sucessão presidencial. Apreensão, expectativa e tensão são sentimentos que crescem na medida em que o calendário vai se aproximando do 2 de outubro. 

As eleições vão renovar um terço do Senado e os novos governadores, deputados federais e estaduais. Contudo, é a escolha do presidente da república que se revela apaixonante, provocativa e polêmica.  

Essa constatação engloba desde a cidade mais populosa do Brasil – São Paulo, com 12 milhões de habitantes – até os pequeninos lugarejos.  

Neste pleito em particular, desde longe marcado pela polarização irreversível entre as candidaturas do presidente Jair Bolsonaro e do ex-presidente Lula da Silva, observa-se que o cenário hostil, ofensivo e belicoso – com lamentáveis demonstrações de violência – tende a aumentar nos próximos dois meses. 

Não é fantasioso admitir que quando as campanhas esquentarem pra valer [a partir de 16 de agosto, com o começo da propaganda eleitoral autorizada, e 26, data do início do horário gratuito na TV] o País assista a cenas ainda mais brutais, ampliando aquilo que já se vê estampado: importante fatia da população lutando com unhas e dentes – e sem limites – para a todo custo emplacar o ‘seu’ candidato ao vizinho, colega de trabalho, amigo ou familiar inclinado a votar em outro nome. 

Vê-se, portanto, um quadro de Brasil parcialmente dividido, em que o eleitor mais radical não tem olhos para os contrários. Enxerga, apenas, sua própria narrativa. 

Polarização entre Bolsonaro e Lula é a mais ruidosa entre todos os pleitos desde a retomada do voto direto, em 1989

Sobre qual vai ser o resultado das urnas em 2 de outubro, as pesquisas não podem ser acreditadas ou desacreditas. E por um simples motivo: se estiverem certas, refletem a suposta intenção do eleitor de hoje; não do dia da eleição. E se estiverem erradas, de nada valem. 

O que se está vendo e irá avolumar-se nas próximas semanas, é uma enxurrada de pesquisas com números desencontrados entre os institutos. Apesar de colocarem o petista na frente, a diferença entre os institutos chega a 10/12 pontos. E não dá pra cravar quais estão certos, quais errados. 

Observa-se, contudo, algo estranho. Os números contrastam de forma avassaladora com o que se vê nas ruas. E aí é Bolsonaro que assume ampla vantagem. Onde vai – quer nos movimentos anteriores, quer nos recentes lançamentos de sua candidatura – leva multidões. Já os de apoio a Lula, o volume é visivelmente inferior. 

Esquerda/Direita – A discussão esquerda/direita é algo ultrapassado, démodé, que parece querer voltar depois de sepultado. Ambas as ideologias influenciaram fortemente até meados do século passado, mas foram superadas porque convergiram para o centro. Vigoram, ainda, em traços institucionais. Mas, na prática, com pouca sustentação em políticas públicas. 

O que o mundo vem combatendo são os regimes totalitários. Sejam de extrema-esquerda, como o de Stalin, na extinta União Soviética; ou de extrema-direita, caso de Hitler, na Alemanha nazista – para dar dois exemplos emblemáticos – o inaceitável é a ditadura, a supressão da liberdade, a intolerância de qualquer espécie e o radicalismo. Se de direita, se de esquerda, pouca importa. 

Vale lembrar, após perder três eleições seguidas (Collor, em 1989, e FHC, em de 1994 e 1998) o próprio Lula precisou vir para o centro e abandonar as posições vermelho-radicais, para se tornar presidente. Seu vice, José Alencar, era um grande empresário, que nada tinha a ver com o movimento sindical. Conforme agora, ao escolher Alckmin, um político de centro-direita. 

De toda forma, eleição não se perde nem se ganha de véspera. A campanha eleitoral é que costuma ser a base do resultado. E ainda nem começou.