‘Faraó dos bitcoins’: Justiça concede bloqueio de bens para reembolsar ex-clientes da empresa

Decisão bloqueou R$ 17 milhões da G.A.S e dos bens materiais de Glaidson e da esposa

Justiça
Por Redação
22 de março de 2022 - 9h55
Glaidson Acácio dos Santos, o “faraó dos bitcoins”, que está preso e sua mulher, Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, que segue foragida. (Foto: Divulgação)

A Justiça do Rio autorizou o bloqueio dos bens da G.A.S Consultoria, empresa de Glaidson Acácio dos Santos, o “faraó dos bitcoins”, e dos bens pessoais dele e da esposa, Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, para ressarcir vítimas que investiam com os golpistas.

A decisão da juíza Maria Cristina de Brito Lima, da 2ª Vara Empresarial da Capital, chamada de arresto de bens, foi aceita para atender ao pedido da Associação Nacional Centro da Cidadania em Defesa do Consumidor e Trabalhador (Acecont), que está processando a G.A.S, visando garantir o pagamento dos ex-clientes que foram prejudicados. A associação pediu que a empresa deposite R$ 17 milhões.

“Concedo a tutela de urgência requerida, para determinar o arresto dos bens apreendidos no âmbito criminal, bem como o arresto on-line de toda e qualquer conta dos réus, medida esta última que será efetuada pelo gabinete do juízo, até o limite do valor dado à causa, ou seja, até o suficiente para o pagamento do capital investido pelos associados lesados da autora”, determinou a juíza em sua decisão.

O faraó dos bitcoins ficou milionário após movimentar pelo menos R$ 2 bilhões na G.A.S Consultoria Bitcoin, que é suspeita de aplicar o golpe de “pirâmide”. A empresa prometia 10% de lucro sobre o valor investido no mercado de criptomoedas.

A associação protocolou o pedido no dia 1º de março e também pediu que a advogada Mônica Lemos, que atua na defesa da mulher de Glaidson, que está foragida, seja responsabilizada no processo, pois havia afirmado a ex-clientes que a G.A.S teria dinheiro para quitar todas as dívidas, porém, o valor apreendido pela Justiça até hoje não cobre os prejuízos sofridos pelas vítimas.

A ação ainda responsabiliza Mônica por “crime contra as relações de consumo”, previstos no Código de Defesa do Consumidor, e também indica um suposto crime de favorecimento, já que a advogada e seu marido, Samuel Lemos, eram sócios de Vicente Gadelha numa empresa que movimentava o dinheiro da G.A.S.

“Realmente, há indícios de irregularidade na atividade da parte ré, que está na posse do capital investido pelos contratantes. O parecer da Procuradoria da República foi no sentido de realizar a verificação e habilitação de créditos, conforme previsto nos artigos 7° e seguintes da Lei 11.101/05, o que indica que o crédito dos lesados é superior ao patrimônio arrecadado”, escreveu Maria Cristina de Brito Lima.

‘Faraó’ está preso desde o ano passado

Desde agosto do ano passado, o Ministério Público Federal (MPF) estava investigando a G.A.S Consultoria Bitcoin, localizada em Cabo Frio, pois a companhia que possuía o maior número de investidores na cidade da Região dos Lagos estava sob suspeita de aplicar golpes em seus clientes.
Em dezembro, o ex-garçom foi preso por suspeita de comandar o esquema de pirâmide e lavagem de dinheiro que o deixou milionário, durante uma operação da Polícia Federal, MPF e Receita Federal.

Fonte: O Dia