Vídeo | Motoristas de vans dos setores C, D, E e F protestam contra decisão judicial que impede a circulação do transporte alternativo

Houve confusão quando os manifestantes tentaram impedir outros motoristas de trafegarem e PM usou gás de pimenta para dispersar multidão

Geral
Por João Marcos (Estagiário)
24 de janeiro de 2022 - 15h05

A novela do transporte público de Campos ganhou mais um capítulo na tarde desta segunda-feira (24). Motoristas e usuários protestaram contra uma decisão judicial que impede a circulação de vans do setores C, D, E e F pela cidade. A manifestação, que ocorreu nas proximidades da Ponte Leonel Brizola, bloqueou os dois sentidos da avenida José Alves de Azevedo com pneus queimados. Houve muita reclamação, tumulto e policiamento reforçado no local.

A PM chegou a utilizar gás de pimenta para dispersar a multidão no momento em que um dos manifestantes tentou impedir a circulação de uma van do setor A – que tem permissão para circular. “Se o meu setor não pode circular, os outros também não poderão”, disse um manifestante, enquanto tentava retirar o motorista à força do carro.

L.C , motorista de van, cobrou um posicionamento do Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT):

“Queremos saber do IMTT o que está acontecendo. Vemos ônibus irregulares na cidade rodando normalmente, mas não são apreendidos como as vans, queria saber por que a fiscalização mais dura só com a gente? Nós temos tudo regularizado, seja documentação, sejam as peças do veículo.”

O homem ressaltou que o protesto durará até que a decisão judicial seja revogada:

“Hoje o juiz determinou que os setores C, D, E e F parassem de circular pela cidade, só está circulando o A. Mas enquanto não ajustarem a nossa situação não vamos deixar ninguém andar, só vamos sair da manifestação quando solucionar o problema.” 

Os manifestantes incitavam os usuários do transporte a também participarem do protesto. “Se eu perder o ônibus de 6h da manhã, eu não consigo ir trabalhar, por isso recorro às vans. Acho uma covardia, uma perseguição a essas vans, enquanto não cobram os ônibus que fazem descaso com a população, sem horário e frequência”, disse a professora Luciana Rangel.

As vans dos setores C, D, E e F ciruculam em bairros como Donana, e Goytacazes, na Baixada Campista, entre outros.

Por meio de nota, o presidente do Instituto Municipal de Trânsito e Transporte, Nelson Godá, informou que decisão judicial não se questiona, se cumpre. Ele lamenta que os permissionários estejam sendo afetados, e assegura que as empresas estão sendo cobradas pela regularidade de prestação de serviço. “Hoje mesmo foram publicadas no Diário Oficial notificações encaminhadas às empresas por descumprimento das regras de atendimento à população. O IMTT continua trabalhando para assegurar que a população não fique sem atendimento”, finaliza a nota.

Entenda o caso

No dia 16 de dezembro de 2021, a justiça acatou um pedido da empresa de ônibus Rogil, que reivindicava exclusividade nas rotas. Na época foi estipulado um prazo de cinco dias para encerramento das atividades das vans dos setores C, D, E, e F na cidade, mas os permissionários, por meio de uma decisão judicial, conseguiram estender o prazo para mais 30 dias. Após o encerramento dessa data, as vans desses setores novamente foram proibidas de circular, o que causou a revolta dos trabalhadores e populares.