À espera de revitalização, canais de Campos não ajudam no escoamento do Paraíba

Ceivap realiza estudo para que haja solução definitiva e Prefeitura promove ações em pontos críticos

Geral
Por Gabriela Lessa
17 de janeiro de 2022 - 0h01
Prefeitura e Asflucan fizeram ações pontuais em alguns canais

Os mais de 1.400 quilômetros de canais de Campos dos Goytacazes seguem à espera de projetos de revitalização, para facilitar o escoamento de água da chuva e evitar que problemas recorrentes, como enchentes causadas pelo transbordamento do Rio Paraíba do Sul, permaneçam acontecendo. Em setembro de 2021, foi anunciado um investimento de R$ 5 milhões, pelo Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Ceivap), para a revitalização da malha de canais. Segundo o diretor do Comitê do Baixo Paraíba do Sul (que integra o Ceivap), João Siqueira, o investimento está sendo aplicado em pesquisas e criações de projetos, com o objetivo de solucionar as cheias e secas locais.

Campos possui, ao todo, sete canais, sendo três de grande relevância, que são o canal de São Bento, Coqueiros e Vigário, de acordo com João Siqueira. “Estes três têm mais de 40 quilômetros, cada um. Eles são para drenar a água da chuva, levando-as para o mar, no terminal pesqueiro, no Canal das Flechas, em Barra do Furado; como também para alimentar a região da Baixada Campista, com adução de água na época de seca. Além disso, temos canais que também são igualmente importantes e auxiliam na drenagem de água por toda a cidade, como o de Tereré, o Cacomanga, o Cambaíba, o Campos-Macaé e o Jacaré”, explica.

João Siqueira (Foto: Arquivo/Silvana Rust)

Todos esses canais necessitam de grande investimento de manutenção, para que cumpram as funções para os quais foram construídos. De acordo com o diretor do Comitê do Baixo Paraíba, desde 1989 esses reparos deixaram de ser feitos, com a extinção do Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS). “Em função disso, esses canais ficaram sem manutenção e hoje geram mais problemas do que benefícios. Depois de 1989, o último investimento que tivemos, foi em 2010, quando o Governo Federal e o Governo do Estado investiram mais de R$ 190 milhões para a recuperação desses canais, após a enchente de 2007. E, depois disso, não houve mais nada. E os canais precisam de manutenção anual”, fala.

João Siqueira explica que o investimento de R$ 5 milhões do Ceivap foi distribuído em duas partes. “Nós, do Baixo Paraíba, solicitamos que fosse feito um estudo para mitigar as secas e as cheias em Campos e Bacia do Paraíba do Sul, no Paraíba 2, como chamamos, que é da Barragem de Santa Cecília (Barra do Piraí) até Atafona (São João da Barra), pois não há regularização de vazão. Além disso, será destinado também para as obras que pudessem vir a ser efetuadas para minimizar os efeitos das cheias e secas. Uma parte desse recurso já foi licitado em setembro de 2021 e a empresa já começou a trabalhar. E vai apresentar um grande projeto de revitalização em agosto desse ano”, detalha.

Ações em andamento

Segundo a Prefeitura de Campos dos Goytacazes, há trabalhos em andamento para reparos críticos. “As secretarias de Agricultura, Pecuária e Pesca e de Meio Ambiente e Defesa Civil estão atuando em parceria com a Associação Fluminense de Produtores de Cana (Asflucan) para limpeza e manutenção dos canais e pontos críticos. Essa ação tem sido fundamental para, por exemplo, evitar que o nível da Lagoa Feia subisse mais, em consequência da chuva que tem atingido a região desde outubro do ano passado”, informa, por meio de nota.

Para o secretário de Agricultura, Almy Junior, essas ações precisam ser ampliadas para garantir a necessidade de manutenção das comportas e canais do município. “A Prefeitura tem tido uma atuação intensa para ajudar os produtores rurais, cobrando dos órgãos estaduais a intensificação das ações neste sentido”, informa.

Em entrevista para o Jornal Terceira Via, o prefeito Wladimir Garotinho disse que 60 quilômetros de canais foram limpos de maio a dezembro de 2021. “Isso tem ajudado no escoamento da água nessa cheia. Ainda tem muito canal para ser limpo, mas esses 60 quilômetros foram feitos exatamente no local que precisava, em parceria da Prefeitura com Asflucan, utilizando apenas uma máquina. Auxiliou bastante, até no Canal de São Bento, que teve o dique rompido em Barcelos”, diz.

Reflexos da falta de manutenção x necessidade

Com a cheia do Rio Paraíba do Sul, que teve início no dia 10 de janeiro e só voltou a baixar três dias depois, diversas localidades foram afetadas pela água. Segundo João Siqueira, o escoamento foi precário, mesmo com a tentativa de abrir as comportas dos terminais. “Esse escoamento é muito lento e causa, inclusive, prejuízo ao solo. Levanta os minerais prejudiciais ao desenvolvimento de plantas e atrapalha o crescimento vegetativo, pois essas áreas ficam todas salinizadas por essa água que fica ali por muito tempo”, justifica.

João Siqueira afirma que a revitalização é necessária para uma solução definitiva. “Esses canais, hoje, estão causando muitos problemas. Com os canais revitalizados, com manutenções anuais e limpezas, começará a existir benefícios. Com a limpeza, a água sairá em Barra do Furado, disponibilizando água para diversos usos, principalmente nas lagoas que são banhadas pelo rio. Com isso, teremos água disponível o ano todo, beneficiando o sistema agrícola, indústrias e a população ”, pontua.