Clientes levam calote de investidora de criptomoeda em Campos e polícia investiga o caso

Oito pessoas já procuraram a 134ª Delegacia de Polícia para registrar queixa contra a empresa

Polícia
Por Redação
25 de dezembro de 2021 - 13h11
134ª Delegacia de Polícia de Campos (Foto: Carlos Grevi)

A 134ª Delegacia de Polícia de Campos (Centro) investiga um caso de calote financeiro envolvendo uma consultora de investimento em criptomoedas, localizada em Campos dos Goytacazes. Segundo a polícia, a investigação foi iniciada após receber denúncias de pessoas que foram lesadas e apontaram um casal como donos da AC Consultoria e Gerenciamento, empresa responsável pelas perdas financeiras. O caso está em fase de apuração. Até o momento, oito ocorrências já foram registradas na delegacia e os depoimentos estão sendo colhidos, com o objetivo de entender a dimensão do caso.

“Um casal seria responsável pela negociação. Ainda não temos o número total de lesados, porque precisamos da ida deles à delegacia. A investigação está em torno de levantar todas as informações e documentos a fim de entender a dimensão do suposto crime”, disse a assessoria da Polícia Civil, em nota.

O pastor Fabrício Nogueira, que disse ter sido uma das vítimas do suposto golpe, explica que conheceu os donos da empresa no ano passado. “A empresa tem aproximadamente dois anos. Em setembro de 2020, nós entramos em um sistema chamado Copy Trader. Baixamos um aplicativo no celular, transferíamos o dinheiro para uma corretora chamada Hot Forex e seguíamos o sinal do consultor. As contas de todos os investidores eram espelhadas na conta dele. Tudo o que ele fazia por mês refletia na nossa conta e a nossa porcentagem era baseada nisso”, relata.

Pastor Fabrício Nogueira, conta que investiu na empresa (Foto: Arquivo Pessoal)

Já em 2021, Fabrício conta que o sistema mudou. “Quando virou o ano, ele decidiu fazer um contrato. As pessoas transferiam o dinheiro para a conta da empresa e havia o retorno de uma porcentagem de 12% ao mês, através de um contrato reconhecido em firma e cartório. O primeiro contrato foi fechado no dia 9 de abril deste ano; em novembro começaram os problemas”, disse.

Print de mensagem enviada pelo dono da empresa em grupo de whatsapp utilizado para se comunicar com os investidores (Foto: reprodução)

A grande repercussão do caso da G.A.S Consultoria (Veja aqui) deixou os investidores preocupados, segundo o relato do pastor. “Com a repercussão do G.A.S na televisão, muitos investidores ficaram com medo e tiraram o seu dinheiro. Isso criou um rombo na empresa e o dono não conseguia mais pagar os juros que tinha combinado para todos. Já atrasou o pagamento em dois meses e estamos fechando mais um mês. Ele pediu um prazo de 90 dias para começar a devolver o capital. Na empresa tem um advogado à frente da negociação, dizendo que vai dividir em seis vezes, mas muitas pessoas estão dizendo que o o dono da empresa fugiu”, conta.

Ainda de acordo com o Fabrício, o seu vínculo com a empresa é como cliente, mas tem sido apontado como dono do empreendimento e ele nega: “No começo estava dando tudo certo, ele pagava direitinho. Nós ficamos um ano e três meses recebendo tudo certo. Nunca ouvi falar nada de errado dele. Quando vi que o negócio era bom, indiquei para muitos amigos e conhecidos. Até mesmo pelo meio que era utilizado, o Forex, que é muito usado no exterior e é confiável. Depois de um tempo, as pessoas que eu indicava também convidavam outras pessoas. Quando iniciaram esses problemas, começaram a me apontar como dono da empresa, dizendo que tenho um apartamento de 2 milhões, um Jet Ski, um carro de 500 mil, que sou milionário, etc. Só que isso não é verdade, porque eu também dou vítima”, desabafa.

Devido a essas informações, o pastor conta que tem gerado reflexos negativos e está sendo ameaçado. “Vários veículos de comunicação e páginas em rede social têm espalhado isso. Precisei contratar um advogado, que vai entrar com uma ação por danos morais, calúnia e difamação, exposição de imagem. O dono ninguém sabe onde está e, por isso, estão me culpando; estou sendo ameaçado de morte e precisei sair da cidade. Estou orando, entreguei nas mãos do Senhor”, relata.

A equipe de reportagem não conseguiu contato com o a empresa citada nesta matéria. Ainda assim, respeitando o princípio do contraditório, o Jornal Terceira Via aguarda e publicará a versão da empresa para este caso.

Confira na íntegra a nota enviada aos clientes pela empresa:

A A.C. Consultoria & Gerenciamento Ltda. vem através desta nota comunicar a todos os seus clientes que todos os contratos serão rescindidos. E, quanto aos valores referentes aos mesmo serão devidamente devolvidos no prazo de 90 dias.
Estaremos trabalhando incansavelmente para honrar os pagamentos, tendo a certeza que não descansaremos até que todos os clientes recebam os seus valores investidos.
Informamos que o Sr. Gilson continuará na cidade de Campos dos Goytacazes, estando acessível e com contato semanal com todos os clientes
Importante dizer que qualquer outra nota emitida por outros meios deve ser considerada falsa, sendo este meio o único e oficial para prestar informações aos clientes e amigos.
Agradecemos desde já a compreensão de todos.

Atenciosamente,
A.C CONSULTORIA & GERENCIAMENTO LTDA.
Campos dos Goytacazes, 01 de Dezembro de 2021