Fernando da Silveira – O Brasil voltou ao tempo do Curupira?

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Artigo
Por Redação
21 de novembro de 2021 - 0h01

“Na guerra entre certos brasileiros e o Curupira, eu optaria pelo protetor da floresta resguardando, defendendo o ser humano”. – Professor Álvaro Duarte Barcelos.

Com o frio absurdamente intenso me atazanando em pleno mês de novembro, e o que é pior, com chuva que me parecia de granizo aqui em Campos, me fez fugir do desespero lembrando o que me disse carinhosamente o meu padrinho de batismo, o Dr. Olímpio da Silva Pinto, quando a minha família o visitou, se não me engano, num domingo de 1940. Tendo ele interrompido o bate-papo com o meu Pai, quando perguntei à minha Mãe o que era o Curupira, algo que vi numa revista, que estava na suntuosa casa do meu padrinho. Tendo ele me explicado que o Curupira é um personagem lendário que protege a floresta. Um ser mítico, que não só protege a floresta, como também a fauna (conjunto de animais próprios de uma região ou de um período geológico) e os seres humanos delas necessitando para no futuro não morrerem de fome. Confesso que peguei pela metade o que o meu padrinho me disse, daí voltar ao assunto com a professora Maria Izabel Peixoto, então diretora do Colégio Rui Barbosa, que nos deu várias aulas abordando o importante tema e chegando até a levá-lo para os seus alunos mais adiantados do Liceu de Humanidades de Campos.

Vou confessar que mais atazanado, mais aborrecido fiquei, quando tomei conhecimento através de comentários de usuários do Twitter, que está em circulação um filme cujo título infeliz é “Curupira – o demônio da floresta”, quando deveria ser “Curupira – o protetor da floresta”. Ainda não assisti a esse filme, mas tudo me parece com as explicações de Erlanes Duarte, o cineasta que o elaborou, que a referida película apenas mostra a discussão sobre a preservação do meio ambiente. E que ele se preocupou, no longa-metragem de sua autoria, em manter o Curupira em sua essência de protetor das matas. Espero, assim, me deparar neste filme com um Curupira não deformado. Mas com um invencível Curupira, que embora sendo anão, era tão forte e ágil, que o próprio vento o aplaudia acariciando os seus cabelos ruivos. E mesmo tendo os pés virados para trás, sempre esteve pronto para luta, como diziam os sonhadores pegando a verdade pela metade. Sim, o sonho pela metade, pois o Curupira, embora sendo uma lenda, tem em suas entranhas uma preocupante verdade. Parece-me pertinente lembrar, que a professora Maria Izabel Peixoto jamais deixou de esclarecer com veemência que o Curupira era uma lenda a nos alertar de certos problemas, que nos escapavam.

Fernando da Silveira – Jornalista, advogado e professor universitário