Escolas abertas e universidades ainda fechadas

Enquanto crianças já voltaram às salas, universitários ficam em casa

Educação
Por Redação
11 de outubro de 2021 - 0h05
Universidade Estadualdo Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Foto: Arquivo)

No município de Campos dos Goytacazes praticamente todas as atividades econômicas, exceto grandes shows, estão liberadas. Com isso, é fácil notar pela cidade bares cheios, shoppings lotados, comércio funcionando plenamente e cinemas abertos. Todavia, apesar da Prefeitura já ter liberado desde o mês de agosto o ensino híbrido nas universidades, até agora, em Campos, apenas a Faculdade de Medicina seguiu a recomendação e retornou com os estudantes para as salas de aula. Nas demais, tanto públicas quanto particulares, o ensino permanece de forma remota, sendo que algumas mantêm aulas práticas presenciais. No Instituto Federal Fluminense (IFF), no entanto, a expectativa é de que os alunos retornem ainda este ano. O cenário contrasta com o do ensino infantil, que aderiu às atividades presenciais ainda junho. Para o imunologista Milton Kanashiro, é perfeitamente possível administrar esse retorno na forma híbrida e com segurança. Portanto, segundo o especialista, não há muitas justificativas para manter universitários em casa.

De acordo com Kanashiro, como a maioria dos alunos e professores já tomou pelo menos uma dose da vacina contra a Covid-19, é possível administrar esse retorno presencial, tomando todos os cuidados necessários e seguindo os protocolos sanitários de prevenção ao contágio do coronavírus. Ele ressalta, ainda, que, uma questão importante é a preservação dos estudantes que não moram em Campos, ou seja, vêm de outros municípios ou estados, e dependem do transporte público e até mesmo das prefeituras para conseguirem chegar a Campos.

Kanashiro diz que, nesses casos, é preciso que as universidades tenham um olhar mais atento para esses alunos. Ele explica que, para os que residem em municípios vizinhos, as prefeituras podem ter um papel mais atuante e oferecer a esses estudantes transportes públicos mais seguros, ou seja, evitando aglomerações nos ônibus. Outra questão seria com os alunos de outros estados. Para Kanashiro, nesse contexto, a solução seria as universidades deixá-los à vontade para optar ou não pelo ensino presencial, pois muitos não teriam condições financeiras de pagar pela locomoção, já que a pandemia mexeu também com o poder aquisitivo da maioria das pessoas.

Início do ensino híbrido em Campos (Foto: Carlos Grevi/Arquivo)

“Apesar de todo esse contexto, acho que a maioria das instituições tem condições de fazer esse atendimento presencial. É importante que seja feito porque é inquestionável que existe uma perda muito grande para os alunos no que se refere à falta dessas atividades. É importante priorizar as avaliações de forma presencial, obviamente, atendendo sempre a todos os protocolos sanitários”, finaliza.

Em nota, a Prefeitura de Campos informou que “o funcionamento das instituições de ensino devem seguir o que foi determinado no último Decreto Municipal sobre enfrentamento da pandemia. Qualquer alteração ou orientação neste sentido será discutida na próxima reunião do Gabinete de Crise e Combate à Covid-19. Os Decretos Municipais estão disponíveis no site da Prefeitura, em Diário Oficial”.

As universidades não possuem um sindicato específico. Cada uma tem sua própria associação de professores.

Ucam

Na universidade Cândido Mendes (Ucam) a ideia é retornar, progressivamente, com as aulas práticas, orientações de trabalhos de conclusão de curso e, finalmente, as aulas presenciais. Segundo a universidade, “como já estamos em outubro, considerando a importância da mobilização da comunidade acadêmica para este fim e a necessidade de avanço das doses de reforço da vacina para muitos professores, o retorno 100% presencial deve ocorrer, de fato, a partir do próximo ano”, disse, em nota.  A Ucam disse ainda que o atendimento administrativo já está sendo realizado na universidade desde julho e com todos os protocolos de segurança bem estabelecidos. Todos os projetos de preparação e capacitação dos alunos foram mantidos, mesmo que remotamente.

IFF

No Instituto Federal Fluminense (IFF) há o planejamento de um possível retorno, ainda este ano, provavelmente em novembro. “Nós teremos atividades acadêmicas presenciais para os alunos que precisam das aulas práticas laboratoriais poderem concluir seus cursos. Este mês, estamos em intenso debate justamente para o planejamento destas atividades. Há uma grande demanda por parte dos estudantes, uma grande urgência para que eles possam se formar, seja nos cursos técnicos ou nos cursos superiores. O Instituto está se preparando para esse momento importante”, destaca o reitor do IFF, Jefferson Manhães de Azevedo.

Universo

Na Universo, até agora, as aulas teóricas seguem de forma remota e as aulas práticas laboratoriais são agendadas pelos professores e realizadas no campus, observando normas como afastamento, uso de máscara e álcool 70°. “Estágios também são presenciais, respeitando as mesmas normas. Quaisquer outras mudanças, se houver, serão informadas aos alunos ao longo do semestre. A Universo-Campos tem 10% de alunos com endereço declarado de outros municípios”.

FMC

Já a Faculdade de Medicina retornou com o ensino presencial no dia 13 de setembro, com a manutenção das aulas e atividades práticas dos Cursos de Graduação em Medicina e Farmácia, com limite máximo de 30%, em forma de revezamento, dos 936 estudantes que cursam este semestre. “A FMC promoveu um amplo trabalho de sinalização interna, que incluiu demarcações de carteiras em sala de aula, instalação de setas para demonstrar uma rota de fluxo segura de pessoas para esse período de pandemia de Covid-19, obedecendo um distanciamento social de 1,5m, além da divulgação da Campanha Regras da Vida, da Prefeitura de Campos”, afirmou a instituição.

UFF

A Universidade Federal Fluminense (UFF), em Campos, informou que vai seguir em ensino remoto ainda durante o segundo período letivo, ou seja, de 21 de outubro até fevereiro do ano que vem. “Seguindo também outra instrução da UFF (Instrução Normativa 11/2021), a nossa unidade já instituiu um Conselho Consultivo para propor uma forma de retomada de atividades presenciais que seja segura e gradual. No momento, ainda não é possível afirmar com precisão uma data e uma forma para a retomada presencial ou híbrida, pois o Conselho Consultivo está trabalhando para isso, e segue acompanhando as instruções gerais da UFF e das autoridades sanitárias”.

Isecensa

Já o Isecensa preferiu não se posicionar, no momento, sobre o tema.

Uniflu

O Centro Universitário Fluminense (Uniflu) foi procurado, mas não se pronunciou até o fechamento desta edição.

Uenf

A Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) foi procurada, mas não se pronunciou até o fechamento desta edição.