Com a política acirrada, Internet virou ferramenta de desavença e, até, de ódio

​Narrativa de cada um passou a ser verdade absoluta que não aceita opinião contrária

Guilherme Belido Escreve
Por Guilherme Belido
5 de outubro de 2021 - 17h21

O debate aberto na Internet às vezes é feito com bom nível, normalmente com nível baixo e muitas vezes com  nível baixíssimo. É uma situação de extrema gravidade, onde cada qual difama e calunia como bem entende, ‘protegido’ pelo anonimato. 

A realidade de hoje, com a sucessão presidencial deixando uma boa parte das pessoas com os nervos a flor da pele, a defesa cega do candidato de ‘sua’ preferência e a execração sem pudor do oponente fazem com que companheiros de chope se transformem em inimigos.  Não mais cultivam a prática política – não debatem ou discutem – mas, ao contrário, exercem a ditadura do próprio eu. Simples: na medida em que não conseguem mais conviver com ideias diferentes das suas, abandonam a discussão civilizada.  

Fechados cada vez mais em suas próprias casinhas, não querem olhar para os lados e ver que o mundo tem uma multiplicidade de propostas. O resultado é o recuo do conhecimento até chegar à ignorância plena, diria irreversível. 

E essas pessoas estão deixando de discutir nos restaurantes, nas mesas dos bares, nos bancos das praças, na área de lazer dos prédios, etc, para, de forma crescente, fechar a porta do quarto, ligar o computador e disseminar sua narrativa como verdade única, não raro até odiosa, e ponto. Assunto encerrado. 

Quando essas mesmas pessoas saem dos quartos escuros para as ruas, levam consigo toda a carga hostil e reacionária que cultivaram a tal ponto que, ao se depararem com um cartaz, uma bandeira ou uma frase que não seja “a sua verdade”, esse cidadão, apenas por pensar diferente, deve ser hostilizado. Daí para a violência explícita, basta um olhar atravessado.