Médico faz alerta para o câncer de orofaringe

Mensagem é parte da campanha Julho Verde de combate aos tumores de cabeça e pescoço

Saúde
Por ASCOM
21 de julho de 2021 - 14h18
Dr. Raphael Sepulcri (Foto: Divulgação)

Julho é o mês da Campanha Nacional de Prevenção do Câncer de Cabeça e Pescoço. Colorida de verde, a iniciativa chega à quinta edição, trazendo como mensagem um alerta para estes tipos de tumores que acometem regiões delicadas do corpo. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), são esperados 1,5 milhão de novos casos anualmente, com cerca de 460 mil mortes. O câncer de boca, por exemplo, é o quinto tipo mais comum em homens. Nas mulheres, os tumores de cabeça e pescoço mais prevalentes estão ligados à glândula tireoide. Porém, existe um deles que vem crescendo no mundo todo: o câncer de orofaringe. Em Campos,  somente o Grupo IMNE trata pacientes de câncer de cabeça e pescoço pelo SUS.

O cirurgião Dr. Raphael Sepulcri explica que, diferentemente de outras doenças, o câncer de cabeça e pescoço é, na verdade, um conjunto. “Quando se fala em câncer de mama, já se sabe a região exata, assim como o de estômago ou o de pulmão. Mas, o câncer de cabeça e pescoço pode estar na boca, na faringe, na laringe, na glândula tireoide, nas glândulas salivares e nos seios da face. É um grupo. Julho é um mês importante para nós, pois dá ênfase no combate e na conscientização da doença”, revela.

Câncer de orofaringe
Segundo o especialista, a doença na orofaringe acomete as amígdalas e base da língua. Uma das causas do problema é o HPV. Somente nos Estados Unidos, 70% dos diagnósticos estão relacionados ao vírus. “É uma doença que vem crescendo muito. Quando se fala em HPV, relacionamos à promiscuidade. Acredita-se que quem teve mais de dez parceiros durante a vida possui maior risco de desenvolver qualquer câncer relacionado ao HPV, o de colo de útero, o de pênis, o de canal anal e o de orofaringe também. E é uma doença bem diferente”, comenta.

O médico esclarece que, normalmente, nos outros tipos de câncer de cabeça e pescoço, o diagnóstico é feito em pacientes que estão na quinta ou sexta década, já que o principal gatilho é tempo excessivo do uso de cigarro e de álcool. Porém, o tumor de orofaringe atinge principalmente a população jovem na faixa etária de trinta e quarenta anos.

“É uma doença que geralmente se apresenta muito avançada, um tumor grande com metástase cervical, mas tem um prognóstico bom, com altas chances de cura, porque está relacionada a um vírus. Sabemos da existência da vacina contra o HPV e é importante falar dela, porque é uma forma de prevenção”, acrescenta.

Sinais e diagnóstico
Dr. Raphael afirma que os primeiros sintomas são feridas que surgem nas amígdalas ou na base da língua, geralmente que provocam dor ao engolir. Em alguns casos, podem aparecer caroços no pescoço indolores ou nódulos que são palpáveis. Mas, na maioria dos casos, é uma ferida com sangramento, que dói e não cicatriza por pelo menos três a quatro semanas.

“O exame clínico é muito importante, pois, ao olhar a ferida ou nódulo, já há suspeita. No entanto, o que confirma o câncer é a biópsia. O tipo mais comum é o Carcinoma de Células Escamosas. Nestes casos, temos que encaminhar o paciente para fazer um exame específico de pesquisa do HPV, até para definir o tratamento. Hoje, existem estudos que analisam se esse paciente, como não tem a influência do cigarro, se não podemos fazer um tratamento com uma dose menor de rádio ou de quimioterapia”, pontua.

Chances de cura
Apesar de o problema ser grave, o cirurgião garante que as chances de cura do câncer de orofaringe são bem altas. No Brasil, 80% dos diagnósticos de tumores de cabeça e pescoço são feitos nos estágios três e quatro da doença, os mais avançados.

“Não é diferente no de orofaringe. Isso acontece por vários motivos: a questão da nossa assistência básica ruim, o paciente esconder os sintomas ou achar que é uma ferida e a escassez de profissionais que tratem a doença. Aqui na cidade de Campos, somente o Grupo IMNE trata pacientes de câncer de cabeça e pescoço pelo SUS”, frisa.

Prevenção
Acredita-se que as chances de prevenção do câncer de cabeça e pescoço cheguem a 40%, porque os principais fatores de risco são o tabagismo e o alcoolismo. A união dos dois potencializa as chances de surgir um tumor em dez vezes. Para o especialista, o ideal é abandonar estes hábitos e ter uma higiene bucal adequada. No caso do câncer de orofaringe, a prevenção está relacionada à questão da promiscuidade. É preciso utilizar métodos preventivos.

“Por isso, é muito importante a consulta com um especialista, para além de saber o diagnóstico, ver a localização do tumor e entender quais são as opções de tratamento. Nesta hora, é preciso ser franco, pois em alguns casos, o paciente poderá ter sequelas fisiológicas para voltar a deglutir ou falar, vai ficar um tempo se alimentando por sonda etc. É importante também ter uma equipe multidisciplinar, com apoio de psicólogo, fonoaudiólogo, dentista, nutricionista, enfermeiros e médicos de outras especialidades. Além de tudo isso, é fundamental ter a cura como foco”, completa Dr. Raphael Sepulcri.