Fecha, abre; abre e fecha. Só a vacinação vence a pandemia

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Guilherme Belido Escreve
Por Guilherme Belido
5 de abril de 2021 - 18h33

Estado do Rio tem recorde de média móvel e Campos segue com fila de espera para UTI. Em algumas cidades a informação é de casos zerados

Em meio a uma série interminável de fechamentos e aberturas que não estão produzindo os resultados esperados e, ainda, com focos de aglomeração apesar dos lockdowns e da aceleração meteórica dos casos de Covid – a luz do túnel vem mesmo da vacinação, com o Brasil tendo alcançado a marca de 20 milhões de vacinados, o que corresponde a aproximadamente 10% da população.  

É certo que deveria estar bem mais avançada. Contudo, considerando os atrasos nos protocolos de compra dos imunizantes e a forma lenta e desorganizada que marcou o início do programa de imunização, é importante ressaltar que março vacinou mais que o dobro de fevereiro com expectativa que ainda em abril se alcance a marca de 1 milhão de vacinações por dia. 

Portanto, se não faltarem insumos para produção ou vacinas prontas, o Brasil tem chances de recuperar o terreno perdido e efetivamente começar a vencer a pandemia. 

Março devastador  

Ao completar um ano, a Covid bateu todos os recordes e fez de março o pior mês desde o início da pandemia. No dia 31, o maior número de mortes: 3.960. Considerando o mês inteiro, 66.868 vidas perdidas – o que significa mais que o dobro de óbitos registrado em julho de 2020, até então o mês mais dramático, com 32.912 óbitos. 

Uma corrente de especialistas acredita que em abril o número de casos e óbitos possa ser ainda pior. Outros, entretanto, confiam que o endurecimento das medidas restritivas faça efeito daqui a alguns dias. 

Enfim, vivemos sob uma tempestade de informações desencontradas, medidas e contramedidas, e uma série interminável de projeções – boas e más – que não se confirmam. Logo, mostra-se como evidência irrefutável que só o avanço da vacinação trará freio à pandemia. Isso, considerando que os imunizantes se mantenham eficazes às variantes  do vírus, como acreditam os infectologistas, epidemiologistas, microbiologistas e outros especialistas de diferentes áreas.  

Campos segue em lockdown total 

As medidas restritivas que associaram lockdown ao período de feriados antecipados, visando, particularmente, tirar a pressão sobre os leitos hospitalares, não surtiram efeito e o governo municipal resolveu na 2ª-feira (05/04) estender o lockdown. Vale registrar que mesmo com restrição à circulação de pessoas, semana passada ainda se via elevado número de pessoas e carros nas ruas.  

Na 5ª (1º), véspera da Sexta-feira Santa, parecia um dia normal. Por volta das 19h, muitos supermercados estavam cheios, com número de pessoas visivelmente acima do permitido. 

A maioria das cidades estenderam o lockdown. Os estados do Espírito Santo, São Paulo e Rio de Janeiro vivem verdadeiras explosões de casos, principalmente o Rio, com alta na média móvel de quase 90%.  

Quase zero — Por outro lado, cidades como Porto Feliz (SP), Porto Seguro (BA), Chapeco (SC) e São Pedro dos Crentes (MA) informam que estão com casos zerados ou praticamente zerados de Covid. Indaga-se: não seria o caso de observar o que estão fazendo por lá? 

Narrativa de erros   

É bater em ferro frio, mas não por acaso que se chegou a essa situação de infortúnio. Os números assustadores de março revelam a soma de todos os erros, desde incompetência à má fé, que fizeram que a pandemia se agigantasse acima do suportável.  

Mandetta errou; Teich nem errou porque sequer falou; e Pazuello foi um desastre completo. Witzel roubou, Dória mirou na próxima eleição e Bolsonaro simplesmente negou e não quis enxergar o tamanho da gravidade da pandemia.   

Brasil afora, o que se viu foram decretos seguidos de liminares que os tornavam sem efeito. Um fecha e abre sem fim, desarticulação completa entre estados e municípios e ambos desconectados da União. Boa fatia da população simplesmente dando seu pior, com desprezo às mais elementares medidas restritivas e, até acima do se via em tempos de normalidade, promovendo aglomerações. 

Como seria de se esperar, as consequências vieram.