Um aniversário sem festas, mas cheio de tradição

Bloco Os Psicodélicos completou 53 anos no dia 6 de fevereiro, porém, a pandemia cancelou as comemorações

Cultura
Por Mariane Pessanha
22 de fevereiro de 2021 - 10h05

(Fotos: Arquivo)

Um aniversário sem festas, mas cheio de tradição. No dia 6 de fevereiro de 1968 nascia o bloco Os Psicodélicos, que completou 53 anos e encheu de orgulho a comunidade do Morrinho, em Campos dos Goytacazes. As comemorações foram adiadas por causa da pandemia e também pela perda do compositor e ritmista Jailton “Maguila”. A agremiação, que esteve a maior parte do tempo no grupo especial, caindo apenas uma vez para o grupo de acesso e retornando campeã, é considerada uma das mais queridas e importantes da cidade.

Para o pesquisador Marcelo Sampaio, o que diferencia Os Psicodélicos dos outros blocos é a integração com a comunidade, o que garante a participação dos moradores nos carnavais e transforma o evento numa grande festa familiar. Ao todo, são 600 componentes. Ele conta que antes da pandemia havia sempre ensaios, shows com a bateria, o que contribuía muito para unir o bloco e a comunidade.

“Para ter uma ideia da força da comunidade com Os Psicodélicos, teve uma vez que o bloco não iria desfilar e em cima da hora resolveu participar do Carnaval. Foram apenas 15 dias para preparar tudo, desde as fantasias à criação do samba e do enredo. A garra e a força dos moradores fizeram toda a diferença nessa hora e eles conseguiram concluir os trabalhos e fazer um desfile impecável”, conta Marcelo.

Toninho Shita | oito sambas pelo Psicodélicos.

Velha-guarda

O pesquisador conta ainda que outra característica marcante do bloco é que ele é o único que mantém a velha-guarda organizada. A socióloga e cantora Simone Pedro concorda com Marcelo e fala da importância da velha-guarda. “Eu aprendi muito com eles, por exemplo, a importância da hierarquia, do tempo e do aprender com as pessoas que sabem mais, viveram mais. Eu sou muito agradecida aos Psicodélicos por me encorajar a enveredar no mundo do samba como cantora, compositora, porque é um lugar que me mostrou que dentro da minha cidade esse universo do samba, o encanto pela cultura existe. Sempre vai ser a agremiação do meu coração”, diz Simone.

A socióloga ressalta ainda que o bloco nasceu da necessidade de dar uma nova cara ao Carnaval e da vontade de querer transformar o cenário numa grande diversão. “É algo que marca a comunidade como uma união de forças e de uma capacidade absurda em prol de um objetivo comum. Outro ponto muito importante para mim, como mulher, é a força feminina dentro da agremiação, que é sempre respeitada. Uma figura que admiro muito é a Joselia Feydit, que é compositora e uma das fundadoras do bloco. Ela é uma representante do universo feminino no samba”, explica Simone.

Marcelo Sampaio | união com moradores
difere psicodélicos

Tradição

Compositor de oito sambas-enredo pelo Os Psicodélicos, Toninho Shita fala da sua relação com o bloco. Ele começou sua história na agremiação na década de 70, desfilando nas alas e depois conquistou a vaga de compositor. “Sem dúvida alguma tenho um grande apreço pelo bloco. Ganhamos vários concursos e minha ligação com Os Psicodélicos é para sempre”, diz Toninho, ressaltando que entre blocos, bois pintadinhos e demais agremiações, Os Psicodélicos é o que mais tem títulos na cidade. Entre as composições memoráveis ele cita “Aconteceu no Boulevard”, composta por ele, Marquinho Grande, Silvinho e Josélia Feydit.

Com a quadra em obras e um 2020 praticamente todo sem eventos devido à pandemia, o bloco elegeu no ano passado, de forma virtual, o novo presidente da agremiação, Antônio Simões, também conhecido como “Charuto”. Quem disse que o samba pode parar?