Principal marca da pandemia são as aglomerações. Uma vergonha!

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Guilherme Belido Escreve
Por Guilherme Belido
17 de fevereiro de 2021 - 11h11

Parte da população é irresponsável e governantes não querem tomar medidas impopulares 

A partir da 2ª semana de janeiro o Brasil voltou a registrar mais de 1.000 mortes/dia por Covid e bateu recordes no número de casos. Fevereiro está sendo ainda mais duro: vários dias na faixa de 1.200 óbitos, 1.330, 1.350… e por aí adiante. Fica, então, a pergunta: o país que tem um dos piores resultados do mundo no combate à Covid – campeão em aglomerações – e, coincidentemente, “o país do carnaval”, não iria aglomerar justamente no período carnavalesco? Sério mesmo?

A irresponsabilidade de grande parte da população e a dificuldade dos governantes em tomar medidas impopulares (muito embora devessem, em favor da saúde pública) são alguns dos ingredientes que alimentam a pandemia e seguem confirmando advertência feita em meados de 2020 pelo diretor de operações emergenciais da OMS, Michael Ryan:

— O vírus não age sozinho, o vírus explora uma vigilância fraca. O vírus explora os sistemas de saúde fracos. O vírus explora a má governança. O vírus explora falta de educação… – disse.

Nas praias aqui da região, e praticamente Brasil afora, o que se viu foi o ‘Carnaval da Covid’, com bares lotados, festas clandestinas e diversos eventos que resultaram em aglomeração e, consequentemente, no aumento da transmissão do vírus.

Apelar para ‘consciência individual’, falar em ‘bar com protocolo’ e alertar para ‘fiscalização’ é algo pífio, inócuo. Não existe ‘consciência’ por apelo. ‘Protocolo’ em bar, salvo exceções, é fantasia. E os fiscais – em número insuficiente para cumprir tão difícil tarefa – quando não são hostilizados e até agredidos, basta darem as costas para que o ajuntamento volte ‘a postos’.

A cidade que obteve algum êxito nos primeiros dias do “carnaval” foi Belo Horizonte, que fechou ostensivamente os bares no sábado (13) e domingo (14). Entre a 2ª-feira (15) até 4ª (17), funcionamento apenas entre 11h e 15h. Mas na capital mineira não tem praia.