Brevidades para um café com o tempo

Parece que foi ontem, mas, ao mesmo tempo, não nos reconhecemos tão brevemente como a mesma pessoa

Artigo
Por Claudia Cunha
11 de outubro de 2020 - 0h01

Dizem que na hora da morte perdemos 21 gramas. O que representa este peso ? O peso da vida ? O peso da alma ?
Ou o peso de uma brevidade ?

Desde que nascemos, já começamos a morrer. Os primeiros segundos se transformam em minutos; as horas em dias: as semanas em meses; os anos em décadas e assim por diante, conduzindo séculos em milênios tão remotos e tão breves como a própria história da vida de cada um de nós, filhos, pais, avós…

Parece que foi ontem, mas, ao mesmo tempo, não nos reconhecemos tão brevemente como a mesma pessoa. Aquela menina que brincava de Casinha e Boneca, cresceu, morreu para o que viveu ou apenas adormeceu cansada, embalada por Cantigas que a roda do mundo teimou fazê-la dançar em meias voltas de Ciranda e Cirandinha; no Crazy Dance do Carrossel da existência do Vamos todos cirandar ?

Na Roda Gigante da vida, mudaram os sonhos, tão doces quanto Brevidades ou o tamanho do Chapéu Mexicano dos nossos Brinquedinhos Kamikase ?  Hoje, continuamos a valer tanto quanto pesamos, na breve idade de um passado idoso de saudade, que derrete como um bolinho abreviado, agarrado no céu da boca da lembrança de uma época, em plena era dos Jogos Digitais ?

Se não há mais como trocar o agora pelo ontem, em qual velocidade o roda-pião que brincava girando ao redor de nós, deve girar, dentro da brevidade sem tempo a perder, na responsabilidade de nosso mundo moderno de portas-giratórias e Jogos de Sombras…?

Pique-Esconde, um, dois, três …ontem mocinhas e mocinhos que se procuravam no primário. Hoje, delinquentes reincidentes no Passa Anel; foragidos no picadeiro da lei.

Bolinhas de Gude espalhadas pelas calçadas…Balebas convertidas, cederam lugar às bolas de golfe, às reuniões privadas e ao ambicioso e restrito círculo do poder da retangulalizacão de milhões cifrados, por vezes corruptos .

Carrinhos de Rolimã…os primeiros veículos, no qual muitas crianças disputavam corridas ladeira abaixo e sentiam-se verdadeiros ases das pistas. Os infantes viraram adultos e as rodas trocadas por pneus cantando manobras mortais arriscadas em rachas de irresponsáveis, no Bate-Bate do mundo adulto.

Jogos de Botão…? Atualmente, somente presos às camisas, não de clubes de futebol com jogadores disputando partidas e campeonatos, sonho de realização entre muitos meninos. Vestidos dentro do campo de ternos e jalecos do mercado competitivo Brasileiro ou Internacional; por profissionais graduados com mestrado e doutorado, driblando competentes adversários.

Empinando Pipas, Aeroplanos… o céu é ilimitado e os desejos são preparatórios para um vôo maior. É bem melhor tirar brevê para conduzir o proprio avião ou helicóptero, para sentir-se próximo das nuvens; que já foram de algodão, antes do cerol cortante que as fizeram sangrar pescoços.

Perna de Pau…desafio e equilíbrio que surgiram da arte do circo se transformaram em cinismo e cara de pau. Para muitos políticos que consideram o povo Palhaço e abusam cinicamente das rasteiras com as mãos; no meu, no seu; na lona dos nossos bolsos.

Pulando Corda…mãos em cada uma das pontas, girava-se a corda por cima da cabeça, passando-a por debaixo dos pés. Neste momento, o pulo para o futuro de uma depressão. Mais tarde, um breve salto de desespero para a Corda-Bamba da morte; enforcado pelo Trem Fantasma do suicídio.

Ah! Brincando de Cozinhar…ovos, açúcar , polvilho doce e fermento para crescer na batedeira até formar bolhas; assentadinhas dentro de forminhas untadas com manteiga, assadas em forno regular…Brevidades! gerando recursos para as despesas do lar, na Montanha Russa do trabalho informalizado. Linha central…evite sair

Queimado. Correndo, Rodando pneus de bicicleta ou Bambolê, com varinhas que não são do mundo do faz de conta de contas para pagar …

Despertamos, olhando para a ampulheta que marcou o tempo das Amarelinhas da nossa infância e, a doce inocência e suas lembranças como tickets de um Parque de Diversões. Depois o Elástico da adolescência e, a maturidade em Balanços. E passamos um espaço de tempo nos perdendo em derrotas como Cabras-Cegas e, outro nos encontrando nas vitórias da Caça ao Tesouro, disputado em brincadeiras mais sérias e suas consequências. Laranjas amarelinhas, lavando dinheiro sujo do crime organizado, com um Amigo Oculto escondido dentro de uma tela de videogame. Ferrorama e Trem Bala. Detetive e Mistério. Violência e Morte. Tabuleiro de investigação. A Barca com iscas e trajetórias inversas. O ponteiro reverso do relógio e o peso pesado na consciência.

…Uma Pescaria e Salada Mista.
Brevidades para um café. Até breve.