Um mês dedicado ao coração

Setembro também traz a campanha de conscientização e prevenção às doenças cardiovasculares

Saúde
Por Letícia Nunes
20 de setembro de 2020 - 16h29

Cardiologista | Dr. Elias Yunes é o coordenador do serviço no CardioBeda

Não tão famosa como o Outubro Rosa ou o Novembro Azul, a campanha de conscientização Setembro Vermelho também traz um alerta importante: o cuidado com a saúde do coração. Criada em 2014, a escolha pelo mês foi justamente por causa da comemoração do Dia Mundial do Coração que ocorre em 29 de setembro. As doenças cardiovasculares ainda são as maiores causa de mortes no mundo inteiro e grande parte da responsabilidade de mudança desses números é da própria sociedade. O abandono de alguns hábitos prejudiciais à saúde já é o ponto de partida para melhora de muitos quadros clínicos. O coordenador do serviço de cardiologia do Hospital Dr. Beda e do CardioBeda, do Grupo IMNE, Dr. Elias Yunes, destaca as doenças cardiovasculares mais incidentes nas pessoas. “A primeira delas é a hipertensão arterial, que geralmente tem causa genética, a doença aterosclerótica que é o depósito de placas de gordura nas veias e pode acometer as artérias de vários órgãos, como cérebro, rins e pernas e pode ser relacionada ao coração que é a doença coronariana. Tem ainda insuficiência cardíaca que é a perda de função do músculo do coração, geralmente caracterizada pela dilatação do órgão e as arritmias”, conta.

Fatores de risco

Entre as principais causas de problemas graves cardiovasculares, de acordo com o médico, está a própria hipertensão arterial que pode desencadear outras doenças. “A hipertensão muitas vezes não tem motivo. Pela genética do paciente acaba sendo diagnosticado o problema, o que chamamos de fator primário. Somente 10% dos casos estarão relacionados a um nível secundário. A hipertensão é o ponto de partida, mas temos também entre os fatores de risco o diabetes, a dislipidemia que é a alteração do colesterol e triglicerídeo, o tabagismo, a história familiar e ainda a obesidade, o sedentarismo e o estresse”, detalha.

Os primeiros sinais

O cardiologista ainda revela que alguns sintomas estão diretamente ligados ao surgimento de doenças cardiovasculares, por isso, é muito importante estar atento e procurar atendimento médico o mais rápido possível. “A hipertensão arterial é uma doença muito silenciosa, muitas vezes o indivíduo não sente nada. Porém, existem alguns sinais que podem ser identifiSetembro também traz a campanha de conscientização e prevenção às doenças cardiovasculares Um mês dedicado ao coração cados, como dor no peito, falta de ar ou cansaço e palpitação. Na maioria das vezes, o paciente chega ao meu consultório porque está sentindo algo ou veio ao hospital com outro sintoma e durante a consulta verificou-se que a pressão estava alta, por exemplo”, ressalta. Segundo o especialista não existe uma faixa-etária em que as doenças cardiovasculares prevalecem, mas à medida que as pessoas vão envelhecendo as chances de acometimento são maiores. “A hipertensão tem uma relação linear com a nossa idade. Quanto mais velhos ficamos, a pressão vai aumentando. Quanto maior a expectativa de vida da população, maior o número de hipertensos. Isso não quer dizer que todas as pessoas serão hipertensas, mas para quem tem histórico familiar as chances são grandes”, pontua.

Estilo de vida

Questionado sobre a incidência de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs), infartos e isquemias em pacientes cada vez mais jovens, o Dr. Elias diz que isto está relacionado ao estilo de vida levado pelas pessoas atualmente. “São muitas condições que influenciam como o sedentarismo, uma alimentação com alto consumo de sal e produtos industrializados e o estresse. Cada vemos mais pacientes novos hipertensos justamente pelo modo de vida adotado pela sociedade atual”, garante. Acompanhamento e prevenção Os pacientes cardiopatas fazem parte do grupo de risco e precisam ser acompanhados frequentemente. É importante lembrar que as doenças relacionadas ao coração podem deixar sequelas graves e permanentes, caso não sejam tratadas. “Se os fatores de risco não são tratados ou se o paciente não dá atenção a eles, isso pode desencadear um infarto ou um problema de insuficiência cardíaca e assim comprometer a sua qualidade de vida, prejudicando bastante. Ele pode se tornar uma pessoa que perde a sua capacidade produtiva e a sua força de trabalho. Na maioria das vezes, é uma sequela permanente”, frisa o médico. Ao ser diagnosticado com alguma doença no coração, o cardiologista informa as duas formas de tratamento: a medicação e a mudança no estilo de vida. “Alguns fatores de risco como a genética são imutáveis, mas a maior parte deles são modificáveis. Se eu tenho minha pressão controlada, se controlo o nível de glicose no sangue, o colesterol, o tabagismo, levo uma vida mais saudável e pratico atividades físicas eu tenho a doença controlada. Mas se eu não abandono hábitos prejudiciais à minha saúde, só a medicação são será capaz de estabilizar o meu quadro”, completa