ARROZ COM SUSPIROS nova dobradinha pra encher o bucho de lamentações

por Cláudia Cunha

Geral
Por Claudia Cunha
20 de setembro de 2020 - 0h07
Humm!
   Inspiração Suíça do século XVIII,  feitos a partir de claras batidas em neve, delicadamente polvilhadas por chuvas de açúcar e raspas de limão;  sào merengues que bailam em bicos redondos de confeiteiro, na posição de escrever receitas em movimentos perfeitos, desenhando gotas gigantes que descrevem emoções em mini castelos, para assarem em forno febril entreaberto, ofertando um pouco de ar para aspirarem e crocantes ficarem.
   Sendo pelo estômago que também se prende o leitor faminto e, com o garfo e a faca do conhecimento da gastronomia nas mãos, o negócio é ir comendo os suspiros pelas beiradas e, saboreando a sobremesa, mudar da água para o vinho, convertendo-os na seleção de cobiçados grãos de arroz.
   Acompanhamento principal e casado pela comunhão protéica com o também nada barato feijão preto no cardápio indiscriminado de todo brasileiro, o cereal virou praticamente um caso de adultério com divórcio litigioso, devido ao alto valor traidor de bolsas de família. Transformado em colar por programas de culinária, suspirado como forma de Encontro com Mais você em um protesto satírico e desgostoso, sufocado na garganta.
    Ecos suspirantes de um veterano muito inflacionado, dispensado por justa causa que vai ceder lugar a safra das massas, na nova  dobradinha pra encher o bucho de lamentações, como se invertêssemos a máxima de Maria Antonieta, última Rainha francesa que perdeu a sua cabeça guilhotinada e, trocássemos brioche por pão no que seria o Novo Regime ? Será que no vale refeição, macarrão feito de arroz, agora, empazina ?
    Indigesto, mas, para aliviar, a receita do governo caiu na Real e zerou a taxa de importação de até 400 mil toneladas com casca, para países de fora do Mercosul, como Estados Unidos e Tailândia, até Dezembro,  na tentativa de conter o preço das panelinhas de supermercados com cinturas de  barrigas rotundas e bem alimentadas como um banco de reservas.
  Saindo sorrateiramente da copa da cozinha para a  Libertadores, olhares esbugalhados sobre um time mais que arroizado, aprisionado numa fritada como uma comida típica e espremido como um suco, derrotado por equatorianos.
    No Brasil, outra escala no apito de quem está cozinhando o jogo em banho-maria, rendendo cartão vermelho de aviso prévio para o atacante da equipe econômica que sugeriu congelar aposentadorias. Assim como a cor do cartão suspendido pelo tapa de Neymar, arroz de festa das lives,  durante uma partida do Campeonato Francês, contra o insulto recebido, que deve esbofetear a qualquer tipo de preconceito, incluindo o homofóbico a que fora acusado de proferir, na fala anterior a do racismo do zagueiro Álvaro. Prato feito nos noticiários, para um mundo tão redondo como o formato de uma bola e a sua circunferência nada discriminatória, alinhada entre pés de qualquer nacionalidade, idade, etnia, classe social e gênero sexual; pelas faltas, escanteios e tiros de meta, sempre suspirando, em direção ao gol.
   No frigir dos ovos, se o caldo da panela entornou, misturando o doce com o salgado, não adianta  chorar pelo leite ou o que seria o deleite, derramado…é chutar e bola pra frente.
   Ai ai…

(Foto: itsallaboutmerengues Instagram)