A pandemia ainda não acabou

Por Eliana Garcia

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Por Eliana Garcia
20 de setembro de 2020 - 19h53

 

Pensei em escrever um texto sobre literatura para a coluna desta semana. Eu iria falar da literatura como antídoto para a solidão em tempos de isolamento, realçando o poder das palavras trabalhadas com sensibilidade literária. Estas possuem a habilidade de nos jogar para dentro de nós mesmos ao incitar um diálogo conosco. As grandes metáforas da vida estão contidas em obras definitivas. Dito de outro modo: nossas perguntas mais urgentes sobre a vida, os sentimentos, as relações humanas,  o tempo, a transcendência, o sagrado, a origem das coisas e das pessoas entre outras questões são matérias prima da obra literária. A literatura é um potencial instrumento de interrogar a vida.

A literatura seria um bom tema, mas a realidade me levou para outra direção: a pandemia. Assunto já tratado, aqui, algumas vezes, porém a repetição é necessária.

A pandemia, infelizmente, ainda não acabou, embora arotina de muitas pessoas tenha voltado ao normal. São churrascos nos finais de semana, praias cheias, margens de rios cheias, bares lotados, famílias se reunindo sem o devido distanciamento, festas acontecendo e, mais recentemente, convenções de partidos políticos com milhares de pessoas. Em algumas cidades brasileiras, sessenta por cento das pessoas não estão usando máscaras nas ruas. Haja vista aquele rapaz que se recusou a colocar máscara e agrediu a atendente de uma sorveteria em Campinas no interior de São Paulo. Quanta ignorância! Para essas pessoas que insistem em transgredir normas sanitárias mais um alerta: Meus queridos, a pandemia, não acabou só porque vocês estão de “saco cheio” de ficar dentro de casa e de cumprir as normas das autoridades no assunto. Não adianta dizer que “já deu de tudo isso” e ponto. Nada vai melhorar com esse comportamento. Continuem seguindo as recomendações: manter o isolamento social sempre que possível, evitar aglomerações, lavar bem as mãos com água e sabão, preferencialmente, ou usar álcool em gel, usar máscara ao sair de casa, fazer a limpeza doméstica dando preferência para o uso de água sanitária para desinfetar superfícies, cobrir nariz e boca ao tossir, evitar sempre tocar o rosto e outras medidas tão bem difundidas pela mídia. Informação não falta.

Entendemos que as pressões psicológicas são muitas por esse longo afastamento do grupo familiar maior, social e, em muitos casos, do grupo do trabalho. O contato físico, o abraço fazem falta, sem dúvida, mas é a vida que está em risco. A sua vida, a de um familiar, a de um amigo ou a de alguém que você não conhece. Empatia, meus caros. Vidas importam muito e, precisamos de fazer tudo para preservá-las.

Embora as estatísticas demonstrem que os índices de transmissão do vírus, no Brasil, estejam em queda e, que a média móvel de mortes tem sido um pouco menor (800 mortes em 24 horas ainda é muito), não podemos relaxar as prevenções para não corrermos o risco de ter uma primeira onda de COVID19 mais longa, ou mesmo, que tenhamos uma segunda onda pior que a primeira. Prevenção é o remédio mais eficaz no momento.