PAPOS DE ANJO | “Em cada um de nós existe um outro que não conhecemos.

por Cláudia Cunha

BLOG
Por Claudia Cunha
30 de agosto de 2020 - 0h01

‘O jardim das delicias terrenas’, de Hieronymus Bosh, 1515. Entre o paraiso carnal e as asas do inferno.

Aleluia!
Hoje teremos uma Festa Celeste com entrada franca para os tronos.
O princípio desta concessão, se estabelece na apresentação e apreciação de um doce feito com gemas…muitas gemas batidas até ficarem bem fofas e aeradas se transformarem em passageiras nuvens de espuma, que depois de distribuidas em forminhas untadas com manteiga e transportadas para o calor de purgatório do forno, são assadas em banho-maria, até atingirem o tamanho da perfeição.
Enquanto isso, em uma panela grande, uma calda rala de água, cravo, canela, açúcar e rum ou vinho do porto, estará fervendo em fogo baixo. É para onde serão conduzidos coersivamente e, fervidos, depois de desinformados, até que fiquem translúcidos, embebidos e encharcados,
pela totalidade de um sabor anímico, mas, que está diretamente ligado à matéria como uma anunciação.

 


O autor desta delícia portuguesa de dar água no céu da boca, seria um guardião do Jardim do Éden dos paladares ou um vigia do Portal do abismo do colesterol e da glicose nas alturas?
Papo fiado sobre crenças e gastronomia ou papos de anjos e belzebus?
Recitando trovas angelicais em versos cifrados de dissertação fantasiosa, somos todos culpados com pensamentos inocentes ou todos inocentes com pensamentos culpados ?
” Em cada um de nós existe um outro que não conhecemos.”
Dois hemisférios cerebrais e a influência de polos opostos articulados em um conjunto muito distinto. O lobo esquerdo defende a razão, o raciocínio e a consciência. O direito, a intuição, a emoção e a criatividade.
Confronto frontal com lampejos de luz ou raios de trevas ?
O Planeta Terra pertence a Deus ou ao livre arbítrio da orgulhosa e ambiciosa raça humana, sempre hesitante quanto as legendas do partido que deve apoiar. Da falsidade, mentira e corrupção ou da dignidade, lealdade e verdade?
No cofre de uma consciência sem fundo falso, de nome Manuel, a quantia de R$ 35,000,00 encontrados pelas mãos monogâmicas com a honestidade, funcionárias da Associação dos Catadores de Papel e Papelão, que não fazem negociatas com numerários recicláveis da Casa da Moeda; apenas para “deitar a cabeça no travesseiro e dormir um sono tranquilo.”
Estamos em estado de choque ou diante de um cheque de valores virtuosos ?
Nos degraus intermediários da escada que conduz ao Império do céu, demônios do bem e anjos do mal escalando as paredes com suas ferramentas; no pastoreio da alma, sinos de uma Igreja de quem não sabe da missa um terço.
Na mistura confessionária de sílabas e palavras no Assim seja criminoso da atual realidade e, apontado pelo Ministério Público como organização criminosa com lavagem de dinheiro, apropriação indébita, falsificação de documentos e sonegação fiscal na Associação dos Filhos do Pai Eterno, o Sacerdote Arcanjo Robson, com Status sexual de Celebridade e mãos desonestas com dedos em orgias de dinheiro.
Será fins ou o recomeço de uma Pagã hierarquia Cristã?
Vivemos alimentados pelos próprios defeitos e vemos claridade, onde na verdade, a cilada das trevas está a nos espreitar, como uma doação milionária de conceitos infiéis. E a fragilidade de nossa natureza, tão efêmera e incerta, tal qual a nossa peregrinação terrena, suscetível aos conselhos de alguns anjos.
Mas, é para ensaiarmos um vôo nas asas de Deus ou para rastejarmos sob a cauda de Lúcifer ?
Exorcizando o diálogo dos duplos pensamentos desta divina retórica, serão nossas atitudes morais e comportamentais, os únicos fatores, sem a sombra obscura de dúvidas, a moldar o nosso destino futuro para nos bem dizer ou mal dizer, absolver ou condenar, a princípio, no juízo final de nós mesmos.
Argumentação louca de sentido desorientado ou mais um papo furado de sinal dos tempos ?
Bem me quer, mal me quer…macabra flor de lis despetalada, entre jardins de paraísos e quintais de inferninhos.
O Ever que não mais pregará o culto de antes como prefixo de sempre e, o significado deste Aldo, como aquele que tem riqueza exterior, mas, não interior.
Sabores amargos de doces enganos .
Palavra de Querubim.
Amém!

A queda do Anjo Rebelde, de Pieter Bruegel, 1562