BAIÃO DE DOIS da concepção dos subsídios abusivos da panelinha familiar

por Cláudia Cunha

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Por Claudia Cunha
23 de agosto de 2020 - 0h10

No plenário de uma panela, feijão fradinho e arroz branco são cozidos quase ao mesmo tempo, coligados a uma legitimidade de causas garantidas na base ministerial de suas alianças com a carne-seca, linguiça e o refogado de sabor correligionário do toucinho, alho e cebola picadinhos aquecidos, na manteiga de garrafa. E embora pareça díspar do tema, a participação do leite-de-coco e do queijo de coalho partido em cubos e ramos de coentro, é uma medida mais que provisória, de votação em grande decoro.

Típica do grande pólo nordestino, migradouro de políticos para o epicentro da política nacional e de cidadãos comuns para outras oportunidades no mercado nacional, não é que a mistura do Baião e seu tempero variado de contradições, lembram os contrastes do País em que vivemos e que se emendam também em opiniões, no mapa geográfico da vida, através das senhas distribuídas pelo poder do destino ?

Nada devagar, começarei divagando sobre o recôncavo do Espírito Santo e os holofotes convexos da mídia sobre o estupro duradouro de 4 anos de uma menina, hoje com 10 de idade e, algumas pedradas em suas entranhas, arremessadas como se fora mais um tipo de estupro, feito por alguns pareceres públicos sobre o aborto legal, pedido aos gritos por essa criança sem condições de gerar outra criança e, autorizado pela justiça, realizado como uma carta de alforria em um outro Estado e, repercutido como a distância existente no limite entre eles, há milhares de quilômetros.

Partindo de São Matheus para Pernambuco, da concepçâo dos subsídios abusivos da panelinha familiar e da violência cavalgada sobre o corpo de vulneráveis, Brasil mostra a cara hipócrita de quem faz da defesa da vida, o gozo de uma falácia, pois se o embrião é vida, como também não lamentar em manifestações, o gemido abafado dos milhões de embriões descartados nas clínicas de reprodução humana?

Em caçarolas refogadas por falas infâmias que ecoaram de humoristas e até padres no discorrer debochado do assunto, que homens adversários, penetram agredindo os órgãos de crianças; defloradas e sempre ameaçadas da morte que já vive inoculada no meio de suas vísceras maculadas dentro de seus corpos.

Homens eretos de identidades simples; com sobrenomes complexos; de cleros sedentos pecaminosos. Homens de carne bandida, famigerada no prepúcio anterior ao zíper da calça; manchada do crime que jorra na lei infecunda de políticas castradas com leis mais severas.
Meninas que dão à luz no escuro dos seus mais recônditos sonhos… que nunca passarão de fetos.

E uma criança acordando ao som de um baião que atravessou o País, no alívio da gestação interrompida que expulsou o trauma de um pesadelo.

Ela que sonhara apenas, em comer um hambúrguer.