Hospital Dr. Beda adota protocolo para monitoramento pós-Covid-19

Unidade inaugurou ambulatório para acompanhar evolução de pacientes depois de receberem alta

Campos
Por Letícia Nunes
9 de agosto de 2020 - 0h01

(Foto: Carlos Grevi)

Enfrentar a Covid-19 não é fácil, seja principalmente como paciente e também como profissional no âmbito da Saúde, tendo ainda a incerteza do potencial perigoso dessa doença, que mesmo depois de um período de isolamento e tratamento pode trazer algumas lembranças desagradáveis. O Jornal Terceira Via em suas edições anteriores destacou o surgimento de sinais e manifestações no corpo humano até após a cura do novo coronavírus. São situações atípicas que acometem algumas pessoas, em que sintomas devem ser observados e tratados ao longo de um período, a fim de evitar maiores complicações. Pensando nisso, o Hospital Dr. Beda, do Grupo IMNE, em Campos, criou um protocolo de monitoramento de pacientes pós alta da Covid-19, visando a análise da possível evolução de algumas sintomas.

Ambulatório exclusivo

Como grande pilar deste processo, foi instalado recentemente o ambulatório pós Covid-19. O objetivo é atender e avaliar somente os pacientes que passaram pela doença, estando internados ou não. Uma equipe altamente qualificada está envolvida neste processo. Fazem parte dela o Dr. Marcelo D’ávila, responsável pela terapia intensiva; Dra. Camila El Kik, responsável pelo serviço de clínica médica e os médicos responsáveis pela emergência do Hospital Dr. Beda, Dr. Bruno D’ávila, Dr. Nicolau Schettino e Dr. Pedro Conte.

Ambulatório | Pacientes retornam ao hospital após alta médica para acompanhamento

“Nós fizemos o ambulatório pensando basicamente no paciente. A Covid-19 é uma doença em que ainda não temos uma real noção das complicações e o que elas podem trazer ao longo do tempo. Logo, o objetivo desse ambulatório é ser um espaço multidisciplinar justamente para acompanhar e entender melhor o quadro desses pacientes na sua integralidade”, conta o médico rotina da emergência do Hospital Dr. Beda, Dr. Pedro Conte.

Monitoramento nas primeiras horas

O médico ainda explica como funciona o ambulatório após a alta do paciente diagnosticado com Covid-19. Segundo ele, trata-se de um novo perfil de paciente que terá que ser observado e acompanhado durante certo período. Até o momento, cerca de 50 pacientes que estavam internados estão sendo monitorados.

Amanda Ribeiro| Gerente de Qualidade do hospital acompanha trabalhos

“Assim que recebe alta do hospital, o paciente já tem as datas marcadas para consulta de retorno e também as consultas com fisioterapeuta e nutricionista. Precisamos entender melhor o quadro dessa pessoa após a doença. Na maioria das vezes, elas saem do hospital ainda muito debilitadas ou com certa dúvida em relação ao tratamento. Logo, o paciente é acompanhado por uma central de monitoramento, através de uma enfermeira que faz o contato a cada 72 horas durante a primeira semana. Se até a data da consulta, ele apresentar alguma reação que justifique o retorno para avaliação, o paciente volta para ser atendido por uma equipe do pronto socorro. Senão, ele aguarda a consulta e nela ele vai apresentar os exames laboratoriais solicitados ainda no dia da alta, onde vamos analisar e ver como está sendo a evolução. Nesse ambulatório, tenho especialistas e uma equipe treinada só para atender pacientes pós Covid-19, não tendo conflito com pacientes de outras áreas”, ressalta.

Processo individualizado

A preocupação da equipe multidisciplinar com os pacientes curados pelo novo coronavírus, de acordo com o Dr. Pedro Conte, é justamente porque a Covid-19 não é uma doença que acomete só o pulmão, mas sim praticamente todo o organismo, podendo trazer complicações neurológicas,

Especialista | Médico Pedro Conte é um dos responsáveis pelo setor

cardiovasculares, hematológicas, entre outras situações graves.

“Por isso que é preciso ter esse acompanhamento mais de perto, principalmente naqueles que tiveram sintomas moderados a graves. O tratamento é individualizado. Cada paciente tem um tempo. O protocolo é um acompanhamento de no mínimo 6 meses. Temos que fazer essa análise, buscar os fatores complicadores, evitar que o paciente tenha novas complicações, tratar de maneira mais precoce qualquer complicação, entender melhor a doença e dar mais segurança e tranquilidade aos pacientes. É importante citar que por mais que o paciente não esteja sentindo nada, os exames podem mostrar alguma alteração. É de suma importância esse acompanhamento, inclusive, até para a liberação de atividades de maior impacto”, revela.

Preocupação com todos os pacientes

A gerente Qualidade do Grupo IMNE, Amanda Ribeiro, ainda destaca que o paciente que não esteve internado em momento algum durante o diagnóstico e o tratamento da Covid-19, também pode ligar para Hospital Dr. Beda e agendar uma consulta com o ambulatório.

Martha Henriques | Diretora

“Estamos preparados para receber todos os pacientes, seja relacionados à Covid-19 ou não. O Grupo IMNE tem trabalhado para acolher a todos de forma mais segura possível. Nosso grande desafio é manter os nossos serviços essenciais no contexto da pandemia. A gente vem se transformando na mesma proporção que os achados científicos vão aparecendo. Estamos seguindo toda essa evolução. Nós conseguimos separar as emergências, as alas de internação e montamos uma estrutura para que esse paciente tivesse o cuidado com todas as especificações necessárias de atendimento. Outro paciente que vem ao hospital e não tem a doença, que ele possa ter um tratamento seguro”, frisa.

Números positivos

Recentemente, um dos informes epidemiológicos da Covid-19 divulgados pelas autoridades de Saúde do município mostrou que o Hospital Dr. Beda, do Grupo IMNE, é um dos hospitais de Campos que mais registra internações de casos de coronavírus e que, ao mesmo tempo, apresenta o melhor desempenho na recuperação dos infectados e menor número de mortes em comparação aos demais. Desde o início da pandemia, foram contabilizados mais de 5 mil atendimentos somente na emergência respiratória e gripal do hospital. A diretora administrativa do Grupo IMNE, Martha Henriques, durante gravação do programa Especial Terceira Via disse que recebeu com muito orgulho essa estatística. “Esses dados são os reflexo de todo o trabalho feito durante esses meses. Temos que agradecer ao nosso corpo clínico, de enfermagem e a todos os colaboradores”.

Protocolo de segurança | Triagem para pacientes com Covid-19

O primeiro caso de Covid-19 no Brasil foi divulgado no dia 23 de fevereiro. Em 11 de março foi decretada a pandemia. Antes mesmo da confirmação dos primeiros casos de coronavírus em Campos, o Hospital Dr. Beda já estava preparado para as demandas que surgiriam nas semanas seguintes. Em 23 de março, foram iniciadas as divisões das emergências. A parte respiratória e gripal era concentrada na Rua Conselheiro Otaviano, enquanto a emergência geral foi deslocada e a entrada acontecia pela Rua José do Patrocínio. Na primeira semana de abril, tinha-se a confirmação do primeiro caso positivo do novo coronavírus no hospital.

“Antes do surgimento dos casos na cidade, já estávamos nos preparando, aumentando a quantidade de equipamentos e pensando em toda a estrutura. Os colaboradores do Hospital Dr. Beda trabalham paramentados com capotes, luvas, máscaras, óculos de proteção, protetores faciais e toucas descartáveis e, dependendo do setor, com outros equipamentos como vestimentas completas. O hospital também adotou um protocolo de deslocamento e fluxo e também de higienização”, pontua a diretora administrativa do Grupo IMNE, Martha Henriques.