Beirute entre Bombas – Pode um homem, manter seu código moral diante de um mundo tão amoral?

por Cláudia Cunha

BLOG
Por Claudia Cunha
9 de agosto de 2020 - 0h01

Foi durante o primeiro bombardeio armífero da humanidade, que inspirados confeiteiros franceses colocaram as mãos nas trincheiras da massa para criar uma explosão de sabores sobre o maior simbolo da guerra, a bomba.

No regimento da confeitaria, o uniforme militar é trocado pelo avental e, o quepe pelo chapéu de mestre cuca, chamado touca branca. O arsenal de guerra por utensílios de cozinha e a munição por ingredientes na forma de farinha-de-trigo, ovos, manteiga, açúcar, água e sal, todos na calibragem correta.

A massa depois de batida em continência é manobrada e dividida em pequenas tropas que marcham rendidas para serem assadas em território de muito calor… o forno quente. Depois de prontas, são aliadas a cremosos recheios e, escondidas sob variadas e camufladas coberturas, dão um toque de recolher a regimes totalitários e outras dietas menos democráticas.

Projéteis de padaria?

Granadas estrategicamente disfarçadas para encobrir complôs calóricos?

Serão pacíficas ou bélicas ?

Darão início ao verdadeiro motim e transformarão a balança numa guerra fria e sem fim ?

Reforçando a máxima de que o ataque é a melhor defesa e armados até os dentes para dar inicio ao real combate, fazemos das bombas, arma e provisão, pois ” a guerra antes de explodir no mundo, explode no coração das pessoas”, como uma Little Boy atômica de 4,4 toneladas, aniversário completado septuagésimo quinto, no dia 06 de Agosto, da hecatombe de Hiroshima e três dias depois em Nagasaki, durante a Segunda Guerra Mundial.

Terceira Guerra lutando contra a Pandemia do Corona vírus e, uma cidade do Líbano, sob os escombros devastadores da catástrofe do dia 04 deste mês e, os efeitos lacrimogêneos fazendo o mundo inteiro chorar, assistindo as conseqüências trágicas da megaexplosão em formato de bomba nuclear, com 2.750 toneladas de nitrato de amônio, composto usado como base para fertilizantes, armazenado em um deposito abandonado na região portuária, em Beirute.

O mesmo nome batizado para designar um lanche Brasileiro, criado em São Paulo no início do século XX por imigrantes Libaneses, usando pão sírio, preenchido com fatias de rosbife, queijo prato, folhas de alface, rodelas de tomate e zaathar um tempero típico do Oriente. Tipo de sanduíche, que agora lembra o gosto do luto pelas bombas que estouraram nas mãos de pessoas inocentes e bombardearam vidas, minando um território em massiva, que já vive pegando fogo e não é vacinado contra as inconsequências terroristas do Hezbollah.

Pode um homem, manter seu código moral, diante de um mundo tão amoral e apocalíptico?

Qual a medida que rege a fórmula da Paz?

“E se uma garota no Holocausto, tivesse um instagram? ”

As bombas dos noticiários rendem, circulando como um petisco doce para atrair audiência no Campo de concentração diário dentro da ruína de cada residência e seus mascarados prisioneiros; prisioneiros mascarados.

O mundo está vivendo um ataque de passos em marcha à ré evolutivo. Entre as barricadas de inocentes e culpados, somos nós, todos réus .

À toda a comunidade Libanesa, meu respeito e carinhosa solidariedade.