Campos lidera óbitos no Norte e Noroeste. No Brasil, mortes se aproximam de 100 mil

Município tem o maior número de mortes por Covid do Norte e Noroeste fluminense e em cidades das Regiões Lagos e Serrana: 218 mortes até 04 agosto

Guilherme Belido Escreve
Por Guilherme Belido
5 de agosto de 2020 - 14h00

Aglomerações são as principais vilãs na luta contra a Covid

Apesar das frequentes oscilações nos registros de óbitos e nos estágios da doença – variando entre curvas ascendentes, estáveis e em queda – em algumas cidades e estados os números vão se consolidando.

Campos contabiliza o maior número de mortes não só de toda Região Norte/ Noroeste fluminense (218 até terça-feira, 04), como soma mais óbitos do que Petrópolis, com 145; Teresópolis, com 88; Maricá, com 83; Cabo Frio, com 81; Nova Friburgo, com 65; Rio das Ostras, com 59; Saquarema, com 43; Araruama, com 42; Rio Bonito, com 34.

O município amarga, ainda, outro dado preocupante: desses 218 óbitos registrados desde que começou a pandemia (*incluindo o dia 04 de agosto), 100 ocorreram somente em julho, o que significa 30% a mais do que em junho.

Vacina e distanciamento – Quase a cada semana surge uma novidade – não raro contradizendo alguma afirmação anterior – mas, de toda sorte, mostrando que o mundo científico tenta aprender como lidar com a doença e busca, desesperada e obstinadamente, uma forma de vencer o vírus e acabar com a pandemia.

Nesse longo período duas verdades ecoam absolutas: 1) O distanciamento social é imprescindível; 2) Enquanto não tiver a vacina, as medidas preventivas são indispensáveis.

Agosto pode bater recorde

O Brasil está chegado a 100 mil mortes e 3 milhões de casos confirmados. A média móvel até 04 de agosto estava em 1.066 óbitos por dia, sendo que nove estados apresentavam alta. Uma tragédia.

A grande dificuldade está em convencer a população de que estamos diante de uma pandemia mortal e subestimá-la tem custado milhares de vidas. Infelizmente o Brasil está entre os países que pior responde à doença – talvez o pior do mundo.

(Foto: Robson Valverde/SES-SC)

Depois de tratar a Covid-19 como se não fosse nada e insistir em erros e lentidão, a comunidade científica adverte sobre novos recordes na média móvel de óbitos em 24 horas e de casos confirmados, lembrando que nenhum estado está livre de novos surtos, mesmo os que hoje estejam em situação estável.

Crescendo… – Morreram de Covid no Brasil 30.315 pessoas no mês de junho. Em julho, foram 32.912 – o número mais alto desde o início da pandemia. Para o epidemiologista Pedro Hallal, a tendência de aumento nas mortes mostra o “total fracasso” do Brasil em combater a pandemia:

— Não tem nenhum motivo para um país onde a pandemia chegou em março o quinto mês da pandemia ser o mês com mais mortes. Isso é completamente descabido.

E acrescenta Hallal: Se o Brasil continuar não fazendo o distanciamento social nas cidades onde os números ainda estão estabilizados ou crescendo, agosto vai ‘ganhar’ de julho e vai ser, de novo, o mês com mais mortes”, concluiu.

Exemplo do Rio

O Rio de Janeiro, muito embora esteja em estabilidade, estacionou com número muito elevado de óbitos, havendo grande preocupação, também, com a interiorização crescente da doença e a possibilidade do surgimento de uma nova onda de contágio.

Volta às aulas suspensa – Como observado nas últimas semanas, principalmente por parte dos pais dos alunos, o Estado do Rio manteve suspensas até 20 de agosto as aulas presenciais nas escolas públicas e particulares em todo o estado, incluindo ensino superior.

Nota-se que vai se formando um consenso de que não há condições de se retomar as aulas físicas – quadro que deverá permanecer não apenas em agosto, como também em setembro, tendo em vista o alto risco de espalhamento do vírus. Possivelmente só em outubro se terá condições seguras de avaliação.

Estudo revela aceleração no Brasil

Levantamento divulgado pelo Imperial College de Londres apontou que a transmissão do novo coronavírus voltou a ganhar velocidade no Brasil e que o índice de contágio ficou mais rápido nas duas últimas semanas.

Há 15 dias, o índice (​Rt) era de 1,03, ou seja, cada 100 pessoas com Covid levariam o vírus para outras 103. Agora subiu para 108: cem pessoas infectam 108.

Segundo o infectologista Celso Granato, no início de julho o Brasil dava sinais de controle da doença com curva decrescente. Aí vieram as flexibilizações e com o aumento da circulação de pessoas a transmissão voltou a subir. Para ele, os países que tiveram sucesso na contenção do vírus foram os que adotaram, não só o distanciamento, como isolamento rígido.

Contrassenso – Corrente predominante de médicos e estudiosos do fenômeno epidemiológico não entendem como cidades e estados brasileiros promovem o afrouxamento das restrições ao mesmo tempo que a pandemia aumenta no País. Ou seja, um contrassenso assustador.