Depois de chuva de royalties, chega a temporada da estiagem de dinheiro

O dinheiro caía como chuva na cidade e hoje escorre pelos ralos

Editorial
Por Editorial
23 de julho de 2020 - 15h21

(Foto: Petrobras/Divulgação)

No recorde negativo em relação a receitas provenientes dos royalties do petróleo, Campos recebeu o terceiro menor repasse de royalties nos últimos 16 anos. Os R$ 17.841.418,65 referentes a junho também representam uma redução de 49,11% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando o Município recebeu R$ 34.994.719. Entre royalties e Participação Especial (PE), Campos já acumula perdas de mais de R$ 150 milhões somente este ano.

O dinheiro, que antes caía como chuva sobre a cidade e que para muitos escorria pelo ralo, agora está escasso, quase uma estiagem e o município empobrece como se o Nordeste fosse. E lembrar que há 15 anos a fatura era tamanha que o orçamento do município de Campos que ultrapassava a marca dos R$ 2,5 bilhões era superior a de muitas capitais, inclusive maior do que o de Curitiba, cidade considerada modelo.

No tempo da fartura, esteve em Campos o saudoso jornalista Ricardo Boechat para moderar um painel que tinha como epicentro a questão dos royalties do petróleo. No debate chegaram à conclusão de que os prefeitos da Região que recebiam royalties são sabiam usá-lo corretamente, quase munidos da certeza de que ele seria infinito.

Ricardo Boechat perguntou então quando os prefeitos iriam aprender a gastar esse dinheiro. Alguém rapidamente disse “quando ele acabar”. Esse debate aconteceu há 12 anos no Centro de Convenções da Universidade Estadual do Norte Fluminense.

Municípios que antes não recebiam royalties e nesta época eram pobres, sendo o melhor exemplo deles Maricá, próximo a Niterói, parece que aprendeu com os erros dos pioneiros. Maricá criou um fundo, não para investimentos privados, mas para o próprio município. Na atual gestão ninguém paga transporte público na cidade que é infinitamente menor que Campos. As redes públicas de Saúde e Educação são modelos. São as áreas tecnicamente sob a responsabilidade do município.

Registra-se que a atual administração de Campos não pode dispor de nenhum valor expressivo de royalties ao contrário de seus antecessores. Ao mesmo tempo em que nesta administração os royalties começavam a encolher, a Prefeitura ainda tinha que arcar com a venda antecipada deles feitas por administrações anteriores.

Em suma, serviços de lição pelo menos para Maricá, mostrando como fazer errado, permitindo que eles acertem.