OPINIÃO | As síndromes da pandemia

A reportagem especial desta edição indagou os especialistas para explicar dois comportamentos associados à Síndrome do Fogo e à Síndrome da Cabana

Editorial
Por Redação
19 de julho de 2020 - 8h32

(Foto: Carlos Grevi)

A medida em que a prefeitura flexibiliza, dando prudentes passos à frente para reaberturas plenas do comércio e atividades de serviços, centenas de campistas, a exemplo do que acontece com pessoas Brasil a fora, estão desde o início da pandemia sem sair de casa, praticando o isolamento social de fato. Se alimentam através de delivery ou recebem a ajuda de familiares para resolver problema do cotidiano. Desde que a pandemia se espalhou pelo país, essas pessoas têm como paisagem as janelas do apartamento ou o quintal da casa.

A reportagem especial desta edição indagou os especialistas para explicar dois comportamentos associados à Síndrome do Fogo e à Síndrome da Cabana, temas novos para a sociedade e que estão sendo discutidos e aprofundados. O psicólogo Luiz Antônio Cosmelli descreve a primeira, em que a sigla significa Fear Of Going Out, ou seja, o medo de sair de casa. Nesse momento, a pessoa tem pavor em quebrar o isolamento, por mais que precise realizar uma atividade muito importante, e assim acabar sendo contaminada pelo vírus. Excessiva e coletiva quanto ao instinto de sobrevivência pessoal e familiar”, o que seria a síndrome do fogo.

Já o termo da segunda síndrome surgiu em 1900 e ainda assim começa a ganhar destaque neste momento. A Síndrome da Cabana na pandemia representa o desespero de algumas pessoas que não querem acabar com o isolamento. É um fenômeno natural. Em um tempo em que todos falam em novo normal, não se pode achar anormal esse comportamento, pois as pessoas confusas com tantos desencontros de informações, acabam no mínimo desconfiadas.

A solução para esse tipo de problema seria a segurança sanitária, ou seja, a certeza de que elas estarão seguras fora de casa, o que neste momento ninguém realmente está. Isso significa que essas síndromes podem ser acentuadas e as pessoas que as vivem não são exclusivamente dos chamados grupos de riscos. Estamos perto de descobrir uma medicação confiável ou até uma vacina. É essa segurança que pessoas que vivem essa síndrome precisam para se sentir seguras e retomar a vida normal, caminhando pelas ruas, mesmo que ainda usando máscaras. Enquanto isso não acontece, os casos mais agudos como pânico, devem ser acompanhados por especialistas, buscando minimizar os efeitos destas síndromes.