Edmar Santos acerta delação e promete provas contra Witzel

Em acordo ainda não homologado, ex-secretário disse que entregará evidências da participação do governador em fraudes na Saúde

Estado do RJ
Por Redação
15 de julho de 2020 - 8h31

Ex-secretário estadual de Saúde, Edmar Santos (Foto: Reprodução)

O ex-secretário de Saúde do Rio de Janeiro Edmar Santos acertou uma delação que envolve o governador Wilson Witzel em casos de corrupção na Saúde.

O acordo foi feito com a Procuradoria-Geral da República (PGR) mas ainda não foi homologado, como mostrou reportagem do RJ2 nesta terça-feira (14).

Santos prometeu entregar um conjunto de provas que revelariam a participação do governador Wilson Witzel no esquema que mandou para a cadeia a cúpula da Saúde no estado, incluindo o ex-secretário.

Pelas redes sociais, o governador disse que o compromisso dele com a população do Rio de Janeiro é de governar com ética e transparência e que jamais se desviou do caminho da lei e que ninguém pode ser acusado sem provas.

Prisão x dinheiro

Edmar Santos foi preso na sexta-feira (10). Fontes do Ministério Público do RJ afirmaram que operação foi antecipada porque o MP foi informado que Santos iria esconder R$ 8,5 milhões em espécie – o dinheiro foi apreendido, mas o MP só falou sobre o caso depois que as imagens vazaram nas redes sociais, sem revelar a quem o dinheiro realmente pertencia.

De acordo com Ministério Público, o aviso da existência do dinheiro foi dado por uma outra pessoa ligada ao esquema. Fontes do MP revelaram que essa mesma pessoa estaria negociando um acordo de delação com o órgão.

Milhões de reais apreendidos em espécie na operação que prendeu Edmar Santos. (Foto: Reprodução)

Disputa pela investigação

Os Ministérios Públicos Federal (MPF) e do Rio (MPRJ) disputam a investigação que envolve desvio de recursos da Saúde no Rio durante a pandemia do novo coronavírus.

São duas investigações em curso:

  • pelo MPRJ, a “Mercadores do Caos”, no início de maio, prendeu o subsecretário estadual de Saúde, Gabriell Neves, suspeito de corrupção;
  • pelo MPF, a “Placebo”, no fim de maio, realizou busca e apreensão em endereços ligados a Edmar Santos, a Witzel e à primeira-dama, Helena Witzel.

Como Santos foi preso por determinação da Justiça estadual, a Procuradoria-Geral da República pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a soltura dele.

Entenda

  • A PGR alega que Edmar Santos é investigado pelos mesmos fatos do inquérito da operação Placebo, que tramita no STJ;
  • A Procuradoria também pediu o deslocamento da investigação da operação Mercadores do Caos para o Superior Tribunal de Justiça;
  • O presidente do STJ, ministro João Otávio de Noronha, determinou que a Justiça do Rio compartilhe dados e mantenha sigilo de toda investigação que prendeu o ex-secretário;
  • Por ser policial militar, Santos está preso na Unidade Prisional da Polícia Militar de Niterói, na Região Metropolitana
  • A Justiça também bloqueou R$ 617 mil das contas do ex-secretário;
  • A Procuradoria-Geral da República e o MPRJ disseram que estão em tratativas para o compartilhamento de prova.

O que dizem os citados

Governador nas redes sociais:

“Com relação às informações divulgadas pela imprensa sobre um possível acordo de delação do ex-secretário Edmar Santos com a PGR, reafirmo, com serenidade e firmeza, o meu compromisso com a população do RJ de governar com ética e transparência. Minha trajetória de vida fala por mim. Jamais me desviei do caminho da lei e, desde janeiro de 2019, do objetivo de reerguer o nosso Estado. Nem eu e nem ninguém pode ser acusado de qualquer irregularidade sem prova.”

Defesa Edmar Santos:

A defesa do ex-secretário de Saúde informou que o dinheiro divulgado como sendo de Edmar Santos não foi encontrado em nenhum dos endereços ligados ao ex-secretário.

Sobre a delação divulgada nesta terça-feira, a defesa preferiu não se pronunciar.

Fonte: G1