Ex-secretário de Saúde do Rio acerta delação com PGR que pode complicar vida de Witzel

Edmar Santos é suspeito de integrar uma organização criminosa que fraudou contratos de compra de respiradores

Estado do RJ
Por Redação
14 de julho de 2020 - 15h00

Wilson Witzel e o ex-secretário Edmar Santos (Foto: Divulgação)

O ex-secretário de Saúde do Rio, Edmar Santos, preso desde o dia de de julho, acertou com a Procuradoria Geral da República (PGR) um acordo de delação em que, segundo noticiou a colunista de O Globo, Bela Megale, entrega informações sobre corrupção na saúde do Estado, inclusive, envolvendo o governador Wilson Witzel. Contra Witzel já existe um pedido de impeachment em curso na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Segundo noticiou a colunista nesta terça-feira (14), os termos da delação premiada já estariam fechados. No entanto, a fonte da jornalista não confirmaram se o acordo já foi assinado por Edmar Santos. Segundo os envolvidos na negociação, a expectativa é de que a homologação da delação pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) aconteça no retorno do recesso do judiciário, o que só ocorre no mês que vem.

Com informações de O Globo

Prisão

De acordo com o Ministério Público, que pediu a prisão do ex-secretário, Edmar Santos é suspeito de integrar uma organização criminosa que fraudou contratos de compra de respiradores pulmonares, que são usados em pacientes com covid-19.

Ele foi preso em sua casa, em Botafogo, na zona sul da cidade. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em outra casa do ex-secretário, em Itaipava, na região serrana do Rio de Janeiro.

A ação do dia 10 de julho é um desdobramento da Operação Mercadores do Caos, sobre fraudes em contratos da Secretaria Estadual de Saúde, que já tinha resultado na prisão do ex-subsecretário executivo Gabriell Neves, no início de maio deste ano.

Dias depois da prisão de Neves, ainda em maio, Edmar Santos foi exonerado do cargo de secretário estadual de Saúde.

De acordo com o MPRJ, também foi obtido junto à Justiça o arresto de R$ 36,9 milhões em bens de Edmar Santos, que seria o valor desviado em três contratos para a compra dos equipamentos médicos.

Ainda segundo o MPRJ, Edmar Santos atuou de forma consciente, “em comunhão de ações e desígnios” com Neves e outros investigados na primeira fase da operação Mercadores do Caos, para desviar recursos públicos destinados à compra de ventiladores pulmonares.

Para o MPRJ, em liberdade, Edmar ainda pode adotar condutas para dificultar mais o rastreamento das verbas públicas desviadas, bem como destruir provas e até mesmo ameaçar testemunhas.

O ex-secretário responderá por organização criminosa e peculato, que é apropriar-se de bens ou recursos públicos em função de seu cargo.