O Pão nosso de cada dia! Invenção partilhada na mesa de todas as classes e fatias sociais

por Cláudia Cunha

BLOG
Por Claudia Cunha
12 de julho de 2020 - 0h12

Pão artístico preparado pelo Chef Tuan, inspirado no famoso quadro ‘ O Grito ‘ de Edvard Munch.

Pai! Nos dai hoje, o alimento básico e o sustento, com o suor do próprio rosto, no labor do operariado e deserto existencial de cada dia. Todos os Trabalhadores, empregados e desempregados, Santificados sejam em vosso nome!

Pão, vem a nós o vosso reino de graças, difundido através do crescimento dos grãos, resultado da transformação e cozimento de uma massa bendita de ingredientes primários, empregados na mistura do trigo, fermento, água e sal, herança da rica cultura do povo egípcio, na bem aventurança da invenção partilhada na mesa de todas as classes e fatias sociais, tanto que originou a palavra companheiro, aquele que compartilha do mesmo pão.

Assim, seja feita a vossa vontade, sublimando religiosamente o milagre ressuscitado da multiplicação e representando o corpo de Cristo na comunhão da hóstia, distribuída ungida na Santa Ceia da missa católica. Assim na terra como no céu!

Fermentado na fornalha do tempo, graças ao povo grego e suas técnicas, o pão foi sendo recheado de aprimoramentos e, ressuscitando de mãos em mãos se espalhou pelo mundo inteiro, ainda que em um passado mais remoto, sua sagrada massa tenha sido amassada com os pés. Perdoai as nossas ofensas!

No Brasil, mais usual após a chegada da Côrte Portuguesa foi batizado com dupla cidadania, porque aqui também, ganhou formato igual ao mais famoso representante da panificação parisiense, uma Glória! Mas, dito popular e, inglório sinônimo de sovina e avarento, referência à casca grossa intragável de mão fechada, massa encefálica de miolo duro, dormido de generosidade. Assim como nós perdoamos a todos aqueles que nos ofenderam!

Na idade média, dedos malditos adicionaram giz e alume para embranquecê-lo e até gesso para adultera-lo, hoje o brometo de potássio, está no meio de nós como profanação do templo do nosso corpo. Um sacrilégio, usado indiscriminadamente sem piedade, que destrói a nossa saúde e diminui seus atributos mais peculiares e aprazíveis do sabor. A mesma ganância que avoluma a massa e aumenta a quantidade de joio, diminui a qualidade do trigo, procedimento que multiplica o ganho e faz o lucro subir nas alturas. Muito embora no alto, nem sempre se encontre com as chamas benignas que aquecem o caldeirão de Deus. E não nos deixeis cair em tentação!

Agradecendo ajoelhados diante do altar da vida, rogando por tudo aquilo que a nossa alma mais deseja, como uma oração misericordiosa de salvação por auxílio emergencial, louvação ao Espirito Santo como receita infalível, no modo de fazer um preparo na remissão dos pecados : Livrai-nos de todo mal!

Amém!