COVID EM CAMPOS: De 01 a 09 de julho dois óbitos a menos comparado com o mesmo período de junho

Já o número de casos confirmados cresceu: de 303 de 1º a 09/06 para 410 entre 1º e 09 de julho

Guilherme Belido Escreve
Por Guilherme Belido
12 de julho de 2020 - 0h01

 

Comparações de um mesmo período de dias, mas de fases diferentes em relação à pandemia, devem ser relativizadas pelas circunstâncias pertinentes de cada qual. Assim, não se pode levar ao pé da letra os registros de óbitos e casos confirmados de Covid-19 em tempos nos quais Campos esteve sob maior e menor nível de isolamento social.

A partir da 2ª quinzena de maio e durante o mês de junho, prevaleceu na cidade as regras de lockdown total ou parcial, mudando para fase mais branda a partir de 01 de julho. Logo, quaisquer números comparativos devem observar as referidas peculiaridades.

Feitas as ressalvas, o município tem do que comemorar: de 1º a 9 de julho o boletim epidemiológico registrou 22 óbitos – dois a menos que no mesmo período do mês anterior, quando contabilizou 24 mortes. Por outro lado, os casos confirmados aumentaram no mesmo número de dias de ambos os meses, saltando de 303 para 410. Importante salientar, contudo, o crescimento significativo no número de pessoas recuperadas.

Estabilidade – Nos próximos dias o quadro estará mais bem definido, possibilitando analisar que tipo de reflexo a abertura de atividades econômicas, particularmente das lojas de rua, terá sobre o mapeamento de números.

Contudo, como o comércio abriu desde 1º de julho, acredita-se que 10 dias depois qualquer impacto já tenha sido absorvido, o que estaria a demonstrar que a pandemia no município pode estar caminhando para a estabilização. Por outro lado, é preciso cautela. A cidade teve significativo aumento na circulação de pessoas o que, naturalmente, favorece a propagação do vírus. Contudo, na hipótese de se ter atingindo o platô, são animadoras as chances de que a curva de mortes decresça gradualmente..

Rio de Janeiro, julho – No estado fluminense, de 01 a 09 de julho, o número de óbitos somou 1.082, passando de 10.198 para 11.280 – crescimento aproximado de 10%. No mesmo período, os casos confirmados chegaram a 14.165: de 115.278 para 129.443, pouco mais que 12%.

A exemplo do Brasil, que superou a marca de 1 milhão e 200 mil pessoas recuperadas, também o Estado do Rio tem o que comemorar, ultrapassando com folga a casa dos 100 mil pacientes que se recuperaram da doença.

País deve chegar a 2 milhões de casos entre os dias 14 e 15

De acordo com projeções feitas pelo Laboratório de Inteligência e Saúde da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, ligada à USP, o Brasil vai atingir a infeliz marca de 2 milhões de casos confirmados de Covid-19 entre a próxima terça e quarta-feira, dia 15.

Não obstante o drástico número já fizesse parte das estimativas há várias semanas (sabia-se que seria alcançado), é catastrófico quando se leva em conta que no final de maio – logo, há 45 dias – o Brasil registrava cerca de 500 mil infectados. Ou seja, crescimento brutal.

Dizendo a mesma coisa de outra maneira, o País vai saltar de 1 para 2 milhões de casos positivos em apenas 25 dias. É o resultado do atraso nas medidas preventivas, do negacionismo, da absoluta falta de coordenação entre a União – que deveria liderar o processo de combate à doença – e os estados e, na ponta, um gráfico desolador, colocando o Brasil como o segundo país do mundo em número de pessoas infectadas e óbitos. Triste cenário!

Informações desencontradas, procedimentos e realidades heterogêneas 

Tomando por base 26 de fevereiro – apontado pelo Ministério da Saúde (também com discordâncias) como a data do primeiro caso confirmado no Brasil – o País caminha para o quinto mês da doença mergulhado em tamanho patamar de desinformação que não se sabe, a nível nacional, qual é a realidade.

Vejamos: Alguns municípios estão flexibilizando as medidas de isolamento; outros, em sentido inverso, estão retomando fases anteriores e apertando o distanciamento social. Grandes cidades, como Rio e São Paulo, iniciaram a abertura gradual de atividades econômicas, enquanto outras, como Belo Horizonte, estudam lockdown.

Logo, são quatro ou cinco diferentes status quo: flexibilização, aperto no distanciamento, retorno por ter flexibilizado prematuramente, lockdown e manutenção de fase.

Há que se ter em mente que num país de dimensões continentais, as dificuldades são proporcionais ao tamanho e ao quantitativo populacional. Mais um motivo, portanto, para que as ações fossem coordenadas; não o contrário.