Julho alerta para as hepatites virais

Infecções são as principais causas de câncer no fígado e são na maioria silenciosas

Saúde
Por Letícia Nunes
10 de julho de 2020 - 19h22

Assim como nos outros meses do ano, Julho foi adotado pelo Ministério da Saúde e pelo Comitê Estadual de Hepatites Virais como o mês de luta e prevenção a essas infecções. De acordo com dados do Governo Federal, três milhões de brasileiros estão infectados pela hepatite C, mas não sabem que têm o vírus. Já a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que cerca de 3% da população mundial, seja portadora de hepatite C crônica. A iniciativa alerta que as medidas de prevenção devem ser adotadas de forma constante, pois esta é uma principal causa do câncer no fígado.

Considerada um grave problema de saúde pública, a hepatite é uma infecção que atinge o fígado, causando alterações leves, moderadas ou graves. Na maioria dos casos, a doença é bem silenciosa e não apresenta sintomas, logo muitas pessoas nem sequer saber que têm o problema. Mas, em algumas situações, o paciente pode ter cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.

No Brasil, as hepatites virais mais comuns são causadas pelos vírus A, B e C. Há ainda, com menor frequência, o vírus da hepatite D (mais comum na região Norte do país) e o vírus da hepatite E, mais raro, sendo encontrado com maior facilidade nos continentes africanos e asiático.

Causas

Na hepatite A, a transmissão ocorre por água e alimentos contaminados ou contato pessoal com pessoas infectadas. Este tipo de vírus tem distribuição mundial e apresenta maior disseminação em áreas onde são precárias as condições sanitárias e de higiene da população. Na hepatite B, a doença é transmitida por contato com sangue e hemoderivados, ou por contato sexual e de mãe infectada para o recém nascido (durante o parto ou no período perinatal). Na hepatite C, o contágio se dá por exposição percutânea direta ao sangue, hemoderivados ou instrumental cirúrgico contaminado. Já a hepatite D apresenta forma de transmissão similar à da hepatite B. Enquanto na hepatite E, a forma mais frequente de transmissão é por ingestão de água contaminada.

Desafio

O grande desafio da campanha Julho Amarelo é justamente a falta de conhecimento da população a respeito da existência da doença. O vírus da hepatite E assim como o da hepatite A, causa uma infecção benigna que não evolui para a forma crônica.

As autoridades de saúde recomendam que todas as pessoas com mais de 45 anos de idade façam o teste gratuitamente em qualquer posto de saúde e, no caso positivo, façam o tratamento que está disponível na rede pública de saúde.

As medidas preventivas incluem o saneamento básico, as boas práticas de higiene pessoal, o uso de preservativos, o uso de agulhas e seringas descartáveis, o não compartilhamento de objetos pérfuro-cortantes (barbeadores, instrumentos de manicure/pedicure, etc).

Tratamento

Já existem vacinas para as hepatites A e B; esta última pode ser adquirida nos postos de saúde da rede pública. Indivíduos infectados pelo vírus da hepatite B têm 5% a 10% de risco de tornarem-se doentes crônicos. Na hepatite C, o risco é de 85%. O tratamento das hepatites B e C é feito com agentes antivirais, com 70% e 35% de sucesso, respectivamente.

Em Campos, a população pode buscar ajuda em caso de dúvida nas unidades básicas da saúde e também no programa especializado em hepatites virais. Segundo enfermeiro e coordenador de Enfermagem do programa, Rodrigo Rodrigues de Azevedo, só no ano passado foram registrados 111 casos de hepatites virais. “Ao chegar, esse paciente vai ser recepcionado pela equipe, com atendimento pelo enfermeiro e assistente social e depois em caso positivo da doença vai ser encaminhado para o tratamento com medicação, que tem duração de 6 meses, com acompanhamento por até 3 anos. A busca pelo diagnóstico precoce é fundamental, pois a hepatite é uma ameaça grave”, afirma.

Programa DST/Aids e Hepatites Virais

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o programa DST/AIDs e Hepatites Virais mantém a rotina de atendimento de usuários em casos de intercorrências, liberação de receitas, entrega de medicamentos, agendamento e a realização de consultas médicas, acolhimento de serviço social, entre outros.

Para qualquer circunstância de cuidados emergenciais a referência é o Hospital Ferreira Machado, que dispõe de setor específico de tratamento de pacientes. O CDIP (Centro de Doenças Infecto Parasitárias) é referência ambulatorial. Qualquer dúvida os telefones de referência são: recepção (22) 98175-1647 e farmácia (22) 98175-1986. O programa funciona na Rua Conselheiro Otaviano, 241, Centro.