Sexo futurista na mesa da cozinha

as fronteiras dos impulsos dos nossos apetites

Artigo
Por Claudia Cunha
8 de julho de 2020 - 16h50

Reprodução da tela “O nascimento de Vênus”, de Sandro Boticelli, de 1483 

Dá pra colocar a mão sobre o capítulo do Criacionismo na Bíblia e jurar com uma declaração apaixonada que desde o paraíso há uma união mais que estável na origem do mundo entre as relações dos desejos da carne com os prazeres da mesa . A suculenta maçã do pecado que Eva ofereceu a Adão no Jardim do Éden, revelou ao primeiro casal a própria nudez, ” E viram que estavam nus.”

A sociedade entre comida e sexo, não é um mecanismo abençoado na mera associação de palavras, mas uma composição de explicação científica no Jardim das delicias terrenas. Existe uma glândula no nosso cérebro, chamada Hipotálamo, um trem bala de velocidade libidinosa que ultrapassa as fronteiras dos impulsos dos nossos apetites, sejam eles ardentes de cama ou famigerados de mesa, na devoração de similaridades, como um beijo de amor sedutor de línguas entrelaçadas, no banquete de sabores excitando paladares do Atlas de todos os sentidos.

Afrodite, deusa cúmplice da beleza e do amor, já nasceu na mitologia da maioridade e patenteou o termo que alimenta a lenda no cardápio de afrodisíacos e misturando ingredientes com a flechada certeira do cupido, seduziu diversos homens em troca de favores, teve muitos amantes, vários filhos e no gozo dessa fusão apimentada, considerada a protetora das prostitutas, no regime grego de amante profissional da antiguidade, em tempos de Baco.

Caixa de Pandora na era das atualidades estimulantes do êxtase, preliminares como mordidas e lambidas em sanduíches dentro de envelopes de papelão, seguem como o jantar à luz virtual de telas pornôs, entrada de um planeta íntimo high tech, que se masturba em orgasmos nas quentinhas de web cam e, ingressando com a Psiquê doente no parquinho de diversões com o tíquete na forma de um doce, a Hera venenosa de crimes como sobremesa, no deturpo da pedofilia como brincadeira e cavalos troiando posições com o carrossel da zoofilia.

Prometeu, cumpriu também em cabines de peep show, corpos enlatados, distribuídos como um prato feito à base de fast food para um guloso mundo voyeur, com os olhos congelados nos orifícios da satisfação, longe da rotina de papais mamães, que movimenta muito além de mãos e cavalgos imaginários em quadris, mas o balanço do gang bang no kama Sutra do mercado pornográfico e bilionário que distancia as pessoas do valor da conquista e as aproxima por inanição em manter vínculos de afetividade e, segundo os cientistas no fecundo futuramente
dessa fertilização in vitro, camisinhas em spray, transas com robôs, orgias em viagens na atmosfera do espaço sideral, bonecas infladas por controle remoto na convivência do dia-a-dia e outros brinquedinhos com a sensibilidade de uma pele, servindo como consolos para corações solitários também emborrachados ou debaixo de peitos igualmente de silicone.

Capela Sistina versus modus operandis do Priapismo, assim caminha a humanidade para a criação do bebê de proveta com status de Hermafrodita, que ainda debaixo dos lençóis, ejacula no evo das previsões como embrião de laboratório.

Juízo final na concepção de um casal que divide a cama com o berço incubador da fertilidade apocalíptica, apogeu e perigeu na perpetuação da especie, a procriação diante da provisão do futuro tecnológico.