Retratos preocupantes de uma crise

Espaços públicos movimentados e importantes do município sofrem com a queda na receita que afeta manutenção

Campos
Por Redação
29 de junho de 2020 - 0h01

POR LETÍCIA NUNES E TAYSA ASSIS

Sabe aquele papelzinho de bala jogado na rua? Aquele que é “só um” e não vai dar em nada? Então, imagina mais de 500 mil pessoas jogando esse papel em calçadas e ruas. Viver em sociedade exige algumas responsabilidades, entre elas o cuidado com os espaços de uso comum. Mais que obras e serviços essenciais do poder público, atitudes individuais também fazem a diferença para a construção de lugares bons e limpos.  Na pandemia, diante da menor quantidade de pessoas circulando no município, é possível perceber os reflexos do abandono por parte do governo e também a falta de bom senso dos campistas. O fato é que ninguém gosta de viver em um ambiente sujo.

Beira-Valão

Em 2011 começaram as obras de revitalização do canal Campos-Macaé, que transformou o trecho urbano numa nova Beira-Valão.  O espaço é tombado e não pode ser fechado. Mas, os arcos metálicos não escondem a sujeira a céu aberto. As águas escuras revelam a quantidade de lixo despejada por quem passa por ali. Já foi possível ver peças de roupa, calçados e até móveis dentro do valão. A Secretaria de Desenvolvimento Ambiental informou que o trecho entre o McDonalds até a Chatuba passou por limpeza na última semana. No trecho restante, até o Mercado Municipal, o procedimento será feita ainda nesta semana.

Entulho e Lixo

O descarte irregular em áreas públicas e terrenos baldios são grandes vilões quando o assunto é combate ao mosquito Aedes Aegypti. A proliferação do mosquito transmissor da chikungunya, dengue, zika e febre amarela acontece nessas oportunidades, onde a água se acumula em recipientes. Além disso, essa sujeira traz problemas sérios de saúde e ainda impacta no meio ambiente. São inúmeros pontos vistos na cidade com lixo e entulho acumulados. Na Avenida Carmem Carneiro, em Guarus, por exemplo, as pessoas precisam conviver com o descarte de lixo a céu aberto na beira da linha, além dos animais que circulam por ali, como ratos e até urubus. Outro local com bastante acúmulo de lixo irregular é na Rua Deputado Nelson Martins esquina com a Rua Felipe Uebe. Ali, entulhos são jogados por moradores e carroceiros.

Campos conta com os Pontos de Entrega Voluntária de Entulhos Retratos preocupantes de uma crise (Peves), que evitam que toneladas dos resíduos irregulares gerados mensalmente na cidade, sejam despejados irregularmente nas vias públicas. Os oito Peves foram criados para corroborar a Lei Municipal que diz que pequenos entulhos e demais resíduos são de responsabilidade de quem os gera, e por sua vez, devem ser encaminhados para pontos adequados.

Em meio à pandemia, os descartes tiveram um aumento de 20 mil toneladas por mês, para 40 mil toneladas. Já a coleta domiciliar, a média, que era em torno de 300 toneladas por dia, foi registrado um aumento para 450 toneladas.  Em casos de flagrante de descarte irregular, a população deve entrar em contato com o Departamento de Fiscalização e Controle Ambiental, através dos canais (22) 98175-0207/98175-1888 ou através do email fiscalizacaosmda@ gmail.com.

Ciclovia

Com 14 quilômetros de extensão, a ciclovia da Avenida 28 de Março corta grande parte dos bairros da cidade de Campos. Milhares de ciclistas passam por ali diariamente. E faz tempo que não é possível ver nenhum reparo ou melhoria naquele espaço. Fora o fato de dezenas de acidentes que acontecem na via, acabarem destruindo aos poucos esse lugar, que foi pensado para abrigar exclusivamente quem percorre o município de bicicleta. Sem pintura ou limpeza, a ciclovia vai morrendo aos poucos.

Segundo a Prefeitura de Campos, a ciclovia Patesko, da Avenida 28 de Março, recebeu moderna iluminação de led em toda sua extensão, assim como a Avenida Presidente Keneddy, no Jóquei. Outras melhorias também estão no cronograma da Superintendência de Iluminação Pública. O Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT) também possui projeto para reforma, melhoria e alterações da ciclovia, no entanto, devido à queda na arrecadação do município, o Instituto está, desde o final de 2019, em busca de recurso federal para viabilizar a execução do mesmo.

Monumentos históricos

Cuidado, zelo e preservação seriam as palavras que caberiam a esses locais. Porém, o cenário tem sido diferente nos últimos tempos. No principal teatro da cidade, o Trianon, é possível ver desde a área externa, os sinais da falta de cuidado. A vegetação alta é apenas um dos pontos onde falta conservação. O teatro e o Museu Histórico de Campos ficaram quase um mês sem energia elétrica, que foi cortada no dia 28 de maio, pela concessionária fornecedora, por falta de pagamento. A luz nesses espaços foi restabelecida na última quinta- -feira (25 de junho). Durante esse tempo, os funcionários que trabalham no espaço passaram por dificuldades.

A diretora do Museu de Campos, Graziela Escocard, contou ao Jornal Terceira Via que nesse período mantinha a circulação de ar do Museu, abrindo as janelas, o que não é o mais apropriado. “Temos documentos raros no Museu e ainda livros da coleção de Nilo Peçanha que precisam de acondicionamento apropriado. Esse material corria risco,” lamentou Graziela.

Já no Jardim São Benedito, local bastante frequentado antes da pandemia por famílias e estudantes, hoje, é impossível visitar esta área de lazer. Além de estar fechado por causa da pandemia, atualmente, o entorno é local de moradia de pessoas em situação de rua, além da falta de iluminação à noite e pouca conservação do espaço. A prefeitura informou que tem uma equipe no interior do parque, que realiza a manutenção do espaço diariamente. Do lado externo, a limpeza também será realizada até o final desta semana.