“Ao vencedor as Batatas”

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Por Claudia Cunha
21 de junho de 2020 - 0h10

Nascido em 21 de Junho de 1839 no Morro do Livramento e conhecido como o Bruxo de Cosme Velho, Machado de Assis é considerado um dos maiores, senão o maior nome da Literatura Brasileira.
O fundador e o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras era pobre, gago, epiléptico e como neto de escravos, sofreu com o preconceito racial em um País, que só teria a abolição decretada quase meio século depois.
Conhecido por sua sagacidade e, críticas esclarecedoras sobre o Realismo cotidiano da sociedade encoberta pelas máscaras do individual, é o autor de um enigma jamais decifrado de uma pergunta que povoa o imaginário popular “Capitu traiu ou não Bentinho?”
Na Imprensa Nacional trabalhou como tipógrafo e, com a boemia se aproximou do mundo poético; foi jornalista, cronista, contista, romancista, poeta e teatrólogo.
Em um de seus romances mais famosos, ” Memórias póstumas de Brás Cubas “, nova versão que se esgotou em um dia e, sem estoque para repor nos Estados Unidos, apresenta a tese do Humanitismo do fictício filósofo Joaquim Borba, que amplamente explorado em ” Quincas Borba”, assim como a teoria da Seleção Natural de Charles Darwin, é baseado na lei da sobrevivência dos mais aptos, principio de tudo de onde todas as coisas emanam e convergem, sendo a guerra tão somente a prova de um processo seletivo da espécie e, como um lema para fortalece-la, a frase título que sobrevoa este artigo e proclama com efeito alusivo como o louvor de um hino consagrado de vitória.
Existem duas tribos famintas e batatas suficientes para suprir e saciar a fome de apenas uma delas, para conseguir subir e transpor uma montanha onde haverá batatas em abundância do outro lado. Segundo o ponto vertente da sua visão, a manutenção da paz destrói a todos por inanição e guerrear gera a conservação de si próprio, terminando com o outro e recolhendo seus espólios como ingrediente para a herança de um horizonte que se sucede depois de, “ao vencido, ódio ou compaixão.”
Alimento básico e também universal, posto que muda de nome como quem carimba em cada lugar o visto culinário no passaporte, batata inglesa é uma impropriedade que se consolidou como a Fake news de um produto genuinamente americano, embora se tratando de um versátil componente gastronômico e, as formas de preparo, cada País tenha as suas adicionais amplas e variáveis deste tubérculo de muitas faces.
“Os comedores de batata”, quadro de Van Gogh, onde sob a luz de um lampião envolta da mesa, o quinteto em sombras de uma família de camponeses, provavelmente durante o inverno, come as suas batatas quentes com as mesmas mãos ossudas e famintas que lavraram minuciosamente a terra e as levaram honestamente ao pedestal do prato, fala em expressionismo sobre conteúdo social e as suas interrogacões, as desigualdades, a miséria dos trabalhadores, o plantio e cultivo da fé.
Tela da vida Real e cópia da arte, a visão de um comércio em coma, de portas fechadas, impregna a retina com a intensidade tremulante em nuances de cores dramáticas, amalgamando sentimentos de dor e angustias da dúvida, vendo o desespero das pessoas humildes em anúncios de penúria, em situação de rua, no contágio da distribuição de avisos prévios e a colheita escassa dos Royalties de petróleo.
Plataformas de embarque e desembarque, a solidariedade e a cooperação entre todos, como unicas opções de positivismo e resumo de escolhas de quem está aglutinado em um mesmo emocional . Agricultores arando a terra da espera, molhada no pranto do coletivo.
Raiz da alma adubada, enquanto no humanitismo predomina a cor da incerteza e a teoria do pessimismo com o absurdo da existência, onde é cada um por si e Deus por todos, opõe-se a esperança igualitária no humanismo, otimista na perspectiva, comum a uma vasta variedade de posturas éticas, enxergando e valorizando o homem, colocando-o no centro da vida em uma escala de importância em atribuições maiores de dignidade, mesmo com o olhar abrigado e acolhido, apenas pela chama fugaz de um candeeiro. Ressurreição da racionalidade iluminando vencidos e vencedores, Expressionismo.
Realismo, hoje estamos todos sobreviventes.