EDITORIAL | O futuro depende só do Presidente Bolsonaro

Ataques ao Supremo e ao Congresso por militantes, e manifestações aumentam a temperatura da panela de pressão

Opinião
Por Editorial
16 de junho de 2020 - 15h42

O jornalista Guilherme Belido, em sua página no impresso do Terceira Via, foi certeiro na análise de que o Brasil vive a maior crise institucional dos últimos 25 anos, gerada por fatores diversos. Entre fatos e fakes, além da crise na Saúde por conta da Covid-19, e seus efeitos colaterais fortes na economia, o país se assemelha a uma nau à deriva.

O Governo Bolsonaro é legítimo, eleito pelo voto popular, e vinha até a pandemia alcançando resultados elogiáveis na economia, como os cortes de despesas na carne, a reforma da Previdência e outras que estão tramitando.

Mas, a pandemia parece ter provocado quase que uma combustão, não espontânea, no cenário político. A própria crise na Saúde e a consequente crise na economia, estão perdendo de longe para a crise política, com os poderes se estranhando, devido a fatos que nada tem a ver com ações de governo.

Ataques ao Supremo e ao Congresso por militantes, e manifestações de ambos os lados, todas inconsequentes aumentam a temperatura da panela de pressão, cujo fogo nunca apagou, mas estava no módulo brando.

A presença de ministros militares no governo está longe de ser o problema. Ministros civis, como o da Educação, pivô da crise mais recente, complicam as coisas com ideólogos extremos. Um processo de impedimento contra o Presidente parece algo fraco, mas sua aproximação do chamado Centrão, que Bolsonaro tanto condenou, é incoerente.

E a coerência, apesar de poder ser contestada pela oposição era até então sua marca. Bolsonaro, se perceber que estamos em um estado de direito, e que por isso ele tem condições de governar livremente, terá uma outra concepção do seu papel.

O governo ia bem, e pode voltar aos trilhos. A prudente distância social de alguns grupos militantes, que contaminam o governo, e de criados-mudos que gritam nos seus ouvidos, já seria um bom passo, para o governo seguir em frente. O Presidente deve tirar um pouco o pé do acelerador ideológico e se concentrar nas boas práticas de convivência política.

Não precisa mudar o estilo do seu carisma, mas é preciso moderar a partir de agora, porque a crise institucional existe, mas pode ser resolvida com cautelosa mudança de postura. Temos que voltar a sair às ruas, não para manifestações, mas para trabalhar depois de um semestre perdido. Se quiser, o Presidente Bolsonaro pode fazer isso acontecer. No momento depende dele.