Opinião: a máscara que cai

O que se faz durante a pandemia quando ninguém está vendo

Editorial
Por Editorial
14 de junho de 2020 - 6h00

(Foto: Carlos Grevi)

O velho e surrado mau conselho que diz “faça o que digo, não o que faço”, é o que a consciência de muitos está falando, ou pior, fazendo com por aí. As medidas de higiene e prevenção contra a Covid-19, em Campos, é quase uma coisa sorrateira, tanto quanto o Lockdown foi para inglês ver, como se diz na gíria, em bom português.

Dizem que caráter é aquilo que a pessoa tem quando nenhuma outra está lhe observando. Todos dizem que lavam suas mãos com água e sabão, álcool 70 ou gel. Todos dizem que, ao colocar o pé fora de casa, estão sempre usando máscaras devidamente limpas e que, quando volta, tiram os calçados antes de entrar em casa.

A maioria das pessoas tem observado que a maioria de outras está sendo hipócrita, não no sentido ofensivo da palavra, mas relaxando quando não está sendo vista. Poucos observam na íntegra o protocolo fora do isolamento social. Concluímos que estamos mascarando as coisas e que a mudança de hábitos necessária não está acontecendo.

Não é por falta de informação. Todos sabem como proceder neste momento e que alguns hábitos terão que ser mudados mesmo, como a higiene, entre outros. O uso obrigatório de máscaras pode perdurar por muito mais tempo do que imaginamos. No Japão, por exemplo, o uso de máscaras é obrigatório com ou sem pandemia, para as pessoas que estão simplesmente gripadas. E não estamos falando aqui de classes sociais. Guarus tem um visível índice de desrespeito às regras de prevenção, mas existe um desrespeito quase invisível em todos os cantos da cidade, como festas em luxuosas residências na avenida Pelinca.

Temos que pensar coletivamente e agir de forma correta individualmente. A vacina ainda vai demorar. Em uma visão otimista, ela não será trazida por Papai Noel, então é expectativa para o próximo ano. Para se ter uma medida, a vacina mais rápida descoberta pelos cientistas foi contra a caxumba e levou quatro anos.

Fato é que essa pandemia requer esforço, e não estamos fazendo a nossa lição de casa e de rua como deveríamos. Nas escolas, a primeira lição que aprendemos é a que diz que quem não se esforça não passa de ano, e essa analogia deveria nos arrepiar. Não usem máscaras para mascarar uma situação grave e não lavem as mãos como quem não estivesse nem aí, porque estamos todos juntos, embora não deveríamos estar misturados, como ainda acontece.