EDITORIAL | Privatização da UENF seria o fim

Atos virtuais protestam contra Projeto de Lei enviado por governador que abre brecha para privatização de universidades

Editorial
Por Redação
10 de junho de 2020 - 10h44

Centro de Convenções da Uenf (Foto:Ascom)

Seria um erro histórico para educação pública brasileira e uma covardia sem igual caso esse risco da privatização da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) se configure. Se configurando, vai, certamente, desfigurar uma das universidades brasileira que, mesmo com recursos parcos e mil problemas, sempre conseguiu pontuação de destaque no ranking das universidades brasileira.

Tem razão as entidades que fazem parte da UENF realizarem atos virtuais de protestos, como o ‘compartilhaço’ nas redes sociais ocorrido na noite desta terça-feira (9) contra o Projeto de Lei (PL) enviado pelo governador Wilson Witzel à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Segundo os manifestantes, tal PL abre brecha para a privatização das universidades públicas do estado, incluindo a UENF.

Campos precisa levantar a voz contra essa aberração. Temos que lembrar que a UENF nasceu sob o signo da sensibilidade de um dos maiores educadores da história deste país, o professor Darcy Ribeiro, que empresta seu nome ao campus, e que foi o mesmo que concebeu a Universidade Federal de Brasília.

Criada para ser bem maior, com campus em Itaperuna e Santo Antônio de Pádua, a Universidade Estadual do Norte Fluminense encolheu quando saiu do governo de Moreira Franco. Há quatro anos a Universidade ficou à míngua sem recursos para custeio básico, prejudicando inúmeras pesquisas que estavam em curso por falta de repasse do governo do estado.

Educação boa custa realmente caro, e cortar esse investimento é a demonstração da falta de sensibilidade que em Darcy Ribeiro sobrava. Quem se socorrer à história recente vai descobrir que Darcy Ribeiro se inspirou na Universidade de Campinas, localizada na cidade que mais cresceu no interior de São Paulo, exatamente em consequência dessa universidade. Campinas sem a sua universidade não teria alcançado o padrão de cidade que ostenta.

Vamos adicionar a isso o fato de que toda a estrutura física da UENF é um conjunto arquitetônico do maior nome da arquitetura brasileira, Oscar Niemeyer, desde dos módulos ao estilo dos Cieps, passando pelo Centro de Convenções e o Hospital Veterinário.

A pergunta que precisa se respondia é: quem teria dinheiro para comprar tudo isso? Se for privatizada, certamente o preço será de banana, uma banana que o atual governo do estado estará dando para a Educação fluminense e um descaso total com o interior do Rio. Isso, definitivamente, não pode acontecer.