Opinião: os números incertos da pandemia

Sem os números reais dos casos e das vítimas fatais da covid-19 a Saúde não pode funcionar

Editorial
Por Redação
8 de junho de 2020 - 11h19

A desistência de Carlos Wizard de assumir a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos do Ministério da Saúde, cargo importante para o combate à pandemia do novo cornavírus, e que antes era ocupado por um médico, mostra bem o desarranjo do Governo Federal diante da tragédia.

Carlos Wizard é empresário e já foi dono de um curso de inglês que leva, até hoje, seu sobrenome. Deveria ser empossado nesta segunda-feira (8), mas pulou fora do barco desde o domingo. Ele já estaria dando seus palpites antes da posse, e teria sido dele a ideia de não se divulgar, ou divulgar com restrições, o número de mortes e casos da covid-19.

O que ele acharia, como empresário, se as bolsas de valores não divulgassem as cotações das commodities, ou o valor irreal de cada uma delas? Se o Banco Central não anunciasse claramente o valor da taxa de juros ou, ainda, não fosse divulgada a taxa da inflação?

Se esses índices não fossem divulgados ou fossem incertos, a economia não funcionaria. Sem os números reais dos casos e das vítimas fatais da covid-19 a Saúde não pode funcionar. Seria como uma nau insensata, sem bússola, em um mar de incerteza. É um erro omitir esses números.

Tanto assim o é, que os Grupos Globo, Folha de S. Paulo e Estadão resolveram hoje se unir para, independente do crivo do Ministério da Saúde, que continua sem titular, apurar e divulgar números reais da pandemia. Embora concorrentes, esses Grupos de comunicação se uniram. Os políticos, independentemente de partidos, deveriam seguir o exemplo.