ROSÁRIO DA BOSSA NOVA

por Cláudia Cunha

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Por Claudia Cunha
7 de junho de 2020 - 0h08

Decididamente, as cidades andam escondidas e distantes das mãos das pessoas como A carta que não foi mandada, em um toque de recolher.

Fatigadas da assepsia opressora e rigorosa que parece não terminar, Aí estamos, retraídos na limitação de muros, olhando um tempo ajuizado pelo rigor do Relógio, alarmados e exilados por entre cômodos em A casa da mãe Joana e uma, Maria vai com as outras entre Caminhos de pedra, perguntando aos amigos, Por onde anda você…?

Sob a pressão de um andar irritado e vozes aborrecidas em discordância, permanecemos reclusos e enterrando a face por entre as mãos abertas, vamos gritando no sufoco do desespero um Apelo de socorro: Tá difícil, mas, a gente Vai levando…esperando pela Marcha do amanhecer.

Época que misturar pessoas pode gerar uma ressaca febril de paladar amargo, acariciar garrafas de bebidas virou sinônimo de romance com fuga pra realidade de Pasárgada ou uma Tarde em Itapoã. Os mesmos braços que se distanciam de abraços são erguidos como brinde às mãos que seguram copos engatilhados pelo álcool, como uma forma de liberdade. É como se o cachorro engarrafado do Vinícius em um Soneto de fidelidade, abanasse a cauda festejando a alegria de estar com seu dono dizendo ‘ Eu sei que vou te amar…’.

Montados em cavalos brancos de raça escocesa ou mesmo um não tão puro assim malte nacional, apressam a marcha em galopes etílicos tentando apaziguar as dores da agonia das horas e apagar o indicativo de um futuro sombrio como se ouvissem risos e vozes amigas dizendo que tudo vai ficar bem. Mas, com muitas doses a mais na cabeça o final pode ser tão trágico como em um filme de suspense de Um homem chamado Alfredo…

Rosa de Hiroshima, a bebedeira gera guerras solitárias e coletivas, matando aos poucos quem não tem pressa de morrer e transformando os sorrisos imaginários em risadas mortentes e delirantes de runs piratas no ébrio da Terra prometida …: São demais os perigos dessa vida… Cuidado benzinho…o gim é um veneno…’.

Além do tempo e da Canção do amor ausente, Dionisio, o deus Baco, Acende uma lua no céu à flor da noite, nos fazendo chorar A dor a mais e pelas vinhas da ira e na contemplação de enxugar os olhos em lágrimas secas, o importante mesmo é ser feliz esquecendo a Tristeza e solidão. E no Eu não existo sem você, Acalanto para embalar Lupicínio ou Chorando pra Pixinguinha, todo o resto vai sendo batido com vodka e capengando em Algum lugar, deixando a situação mais russa e desgovernada do que está. Fuga e ante fuga.  Brasília sinfonia do Alvorada. Tem dó do povo. Mas… Pra que chorar, Pátria minha?

Misturando poesia com cachaça, Ária para assobio e a boca chupando cana, água ardente que passarinho não bebe, acaba-se discutindo futebol e o placar desse jogo também não termina bem, Até rolar pelo chão. Cartão de visita, A mulher carioca, Loura ou Morena. De repente, Um sequestrador… Arrastão. Lamento do Morro enquanto o morro não tem vez.

Soneto do ódio, as misérias políticas são mastigadas e mergulhadas  em tira-gostos partidos recheados de boas intenções, sempre com a última saideira que nunca chega, tornando pessoas engradeadas ou geladas dentro de gavetas de pedras… A mais dolorosa das dores. Meu pai Oxalá! Por que será?

Paiol de pólvora em labaredas, vive-se no porre enjoadinho, a Insensatez de cada dia como se fosse o último e delirando no Balanço do Tom, Escravo da alegria, subindo as escadas do alcoolismo, Samba em prelúdio, Tormento de um homem só na Canção da eterna despedida. Cem por cento atual na Balada da flor da terra e muitas vezes A Bíblia, como livro de Salvação.

Distante, Ai quem me dera ser um Poema de Natal. Não como a Marcha de quarta-feira de cinzas com um Samba triste; Epitáfio e Testamento.  Mas, Outra vez, Dia da criação e A arca de Noé assim como o Frevo de Orfeu e o Samba da Bênção.

O grande apelo, Melhor tudo acabar logo… É preciso dizer adeus. E na Derradeira primavera, Rancho das flores, Acalanto da rosa, a Canção do amor que chegou…Coisa mais linda… Tomara…