Reserva Caruara no Açu é incluída em guia botânico internacional

Espécies de restinga encontradas na RPPN passam a fazer parte do acervo digital do The Field Museum, de Chicago

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Por Redação
4 de junho de 2020 - 15h26

Melocactuas, beleza encontrada na reserva (Foto: divulgação)

A Reserva Particular do Patrimônio Natural Caruara (RPPN), criada e mantida de forma voluntária pelo Porto do Açu, em São João da Barra, foi incluída no Guia Botânico do The Field Museum, de Chicago (EUA), um dos mais renomados museus de história natural do mundo.

A Caruara é a maior unidade privada dedicada à preservação de restinga do Brasil e protege um dos últimos fragmentos remanescentes deste tipo de vegetação, que serve de habitat de diferentes espécies ameaçadas de extinção.

A reserva conta com um viveiro de mudas que produz cerca de 90 espécies de restinga, sendo a maioria pertencente à família botânica Myrtaceae. São 55 fotos de 17 espécies características deste trecho de restinga do Norte Fluminense que ganharam espaço junto a mais de mil estudos no guia norte-americano, uma referência internacional.

Fundado no século XIX, o museu é referência em catalogar e disponibilizar pesquisas acadêmicas da flora e da fauna mundial. Ele passa, agora, a dar visibilidade à riqueza de espécies vegetais encontradas na RPPN Caruara, através de pesquisas que ofereceram informações e fotografias deste importante grupo botânico.O Guia está disponível no link https://fieldguides.fieldmuseum.org/guides/guide/1217 e servirá como suporte para estudos botânicos deste ecossistema em todo o mundo, além de oferecer informações relevantes para outros projetos relacionados à interações com a fauna e análises biogeográficas.

“Este guia faz parte de um esforço conjunto entre pesquisadores e profissionais que atuam na RPPN Caruara, dentro de nossos processos de restauração florestal. Publicações como esta transportam nosso trabalho para outros cantos do mundo. Mostra também que estamos no caminho certo, gerando e disponibilizando o conhecimento adquirido nas pesquisas da unidade de conservação para serem replicados em outros projetos similares”, diz Daniel Nascimento, coordenador responsável pela RPPN Caruara.

Fauna rica e diversificada na reserva (Foto: divulgação)

Myrtaceae é uma família de plantas distribuídas nas regiões tropicais, como no Brasil, e é representada por frutíferas, como a pitangueira, a goiabeira, a jaboticabeira e o cambuí. É a que representa maior abrangência de espécies e possui grande importância no ecossistema de restinga. De acordo com botânicos e biólogos, esta família é uma das mais difíceis de serem identificadas por apresentar grande similaridade morfológica entre suas espécies.

“Estamos muito satisfeitos com o resultado do nosso estudo. Com um trabalho conjunto foi possível produzir imagens de qualidade das plantas, com informações essenciais para que o guia fosse aceito para publicação pelo The Field Museum. A família Myrtaceae tem grande importância nos plantios de restauração da RPPN Caruara devido, principalmente, ao fornecimento de alimento para a fauna local. Foi um prazer e uma grande oportunidade poder participar da elaboração deste guia”, destaca Luana Mauad, analista de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da GNA.

Atualmente o Th eField Museum disponibiliza no site 1.138 guias, distribuídos em quatro categorias (fungos e liquens; animais; plantas e algas) para diversos ecossistemas no mundo. Desses, cerca de 620 guias estão na categoria Plantas, na qual a família das Myrtaceae foi publicada. O estado do Rio de Janeiro é citado em 26 guias publicados pelo museu, sendo que dez tratam de restinga.

Sobre a RPPN Caruara

A Reserva Particular do Patrimônio Natural Caruara é a maior unidade privada de restinga do país. Com aproximadamente quatro mil hectares – o equivalente a quatro mil campos de futebol -, corresponde a quase metade da área operacional do Porto do Açu. Na unidade de conservação são desenvolvidos trabalhos de recomposição vegetal e monitoramento de fauna e flora, com mão de obra local. Hoje, cerca de 40 moradores da região trabalham no espaço.

Todas as mudas plantadas na reserva são produzidas em um viveiro próprio, que é dedicado ao ecossistema de restinga e pode produzir até 500 mil mudas por ano. O viveiro produz e maneja 88 espécies e, até agora, mais de um milhão de mudas foram produzidas e plantadas na RPPN. Em toda a área preservada, já foram identificadas 292 espécies de flora e 573 de fauna, incluindo algumas ameaçadas de extinção, como o Melocactus (Melocactusviolaceus), o Lagarto do Rabo Verde (Ameivulalittoralis) e a Borboleta da Praia (Paridesascanius).

*Ascom