EDITORIAL | O racismo que fere e que mata

O mundo tem se esforçado para varrer qualquer tipo de racismo, mas parece precisar mesmo de uma vacina contra essa peste

Opinião
Por Editorial
3 de junho de 2020 - 15h37

Stephen Maturen (Getty Images/AFP)

Deus não fez o ser humano monocromático – existimos nas cores branca, negra, amarela e parda. A pandemia de protestos contra o racismo, nos últimos dias, principalmente na maioria das cidades dos Estados Unidos, é consequência de um vírus chamado “Escravidão” cuja civilização ainda não descobriu a vacina.

O assassinato frio e covarde de George Floyd pela polícia de Minneapolis, nos Estados Unidos, é um recorte do quanto a população negra tem sofrido desde que seus ancestrais foram trazidos contra a vontade para o Ocidente e aqui escravizados. O mundo tem se esforçado para varrer qualquer tipo de racismo, mas parece precisar mesmo de uma vacina contra essa peste.

No Brasil, o quadro não é diferente. O presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo, tem desferido ataques via redes sociais às demandas e aos lemas dos membros dessa militância. Camargo chegou a se referir a eles como “escória maldita” em uma reunião com assessores no fim de abril.

Isso sem falar nas incursões violentas que a polícia brasileira, principalmente nas duas maiores cidades – São Paulo e Rio de Janeiro- fazem em suas periferias, habitadas em sua imensa maioria por negros e pobres, onde ecoam o som de tiros e gritos de pavor, ou tudo é calado pelo silêncio da morte.

Apesar de todas as leis, e o Brasil tem uma das mais fortes contra o racismo, estamos longe de resolver esse problema, infelizmente. O primeiro passo é criarmos a cultura de que o racista deve sentir vergonha do sentimento ruim que nutre. Se for racista, guarde esse veneno para si, e trata da saúde porque esse é um ódio que mata.