É golpe? Moradores de Campos desconfiam de testes da Covid-19 feitos pelo IBOPE

Ação é verídica e acontece em 133 cidades brasileiras, entre elas Campos

Campos
Por Redação
15 de maio de 2020 - 15h00

(Foto: Reprodução)

Fotos de supostos agentes do IBOPE aplicando testes rápidos da Covid-19 no bairro Nova Goytacazes vêm circulando nas redes sociais. Segundo moradores, esses agentes estariam batendo de porta em porta e convidando um integrante de cada família para realizar o teste que confirma o contágio pela nova doença. A informação tem assustado a população que desconfia do ato. Muitos têm dito que essa abordagem se trata de mais um golpe, no entanto, é verdade que pesquisadores da empresa IBOPE Inteligência realizam nesta quinta (14) e sexta-feira (15) uma pesquisa sobre a prevalência da Covid-19 na população brasileira. A Secretaria Municipal de Saúde de Campos informou que não foi notificada sobre esta ação no município, contudo o Terceira Via entrou em contato com o IBOPE que confirmou que Campos é uma das cidades em que está acontecendo a testagem.

A reportagem do Jornal Terceira Via recebeu a informação por meio de um leitor, morador de Nova Goitacazes, que enviou a foto em tom de denúncia, acreditando se tratar de um “golpe de maldade”. Inclusive, outra imagem (ao lado) de um cartaz que alerta sobre esse “golpe” também vem sendo compartilhada, dando conta de que esses pesquisadores seriam assaltantes disfarçados.

Diante dessas denúncias, os jornalistas do Terceira Via apuraram o caso e descobriram que tal testagem do IBOPE, embora gere desconfiança, é verídica.

No site do IBOPE Inteligência consta que a pesquisa é intitulada ‘Evolução da prevalência de infecção por Covid-19 no Brasil: Estudo de Base Populacional’. O estudo está sendo realizado nesta quinta (14) e sexta-feira (15) em 133 cidades do país, nos quais os pesquisadores visitam 99.750 casas para realizar testes rápidos para o vírus e também entrevistar os participantes. A coordenação dessa pesquisa é da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), com financiamento do Ministério da Saúde e não há custo de participação.

Segundo a empresa, o objetivo dessa pesquisa seria “medir o nível de imunização da população brasileira ao novo coronavírus e identificar de que forma o vírus está se propagando pelo Brasil”. Com isso, será, então, possível “criar políticas públicas mais eficientes no combate à pandemia baseadas em critérios científicos sobre o comportamento do vírus”.

Em suma, a pesquisa consiste na escolha de um dos integrantes de cada família abordada para que responda um breve questionário sobre a existência de doenças preexistentes e possíveis sintomas de coronavírus nos últimos 30 dias e que realize um teste sanguíneo rápido que utiliza metodologia por punção digital (uma picadinha na ponta do dedo).

O resultado do teste sai em 15 minutos e, caso apresente resultado positivo, os agentes orientam que esse morador permaneça em isolamento domiciliar e os demais membros da família também são testados para verificar se estão infectados.

Esses testes rápidos permitem identificar o percentual de pessoas que já tem anticorpos contra o novo coronavírus. No entanto, esses testes só detectam a doença se as pessoas tiverem sido infectadas há pelo menos 7 dias. Caso tenham sido infectadas há menos tempo, o teste não aponta como positivo.

O trabalho, financiado pelo Ministério da Saúde, foi autorizado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e a empresa de pesquisa deve receber 10 milhões de reais pelo trabalho.  Além disso, de acordo com o IBOPE, todos os 2.600 profissionais convocados para atuar neste estudo foram treinados para aplicar os testes.

No site do IBOPE há, ainda, duas reportagens (AQUI e AQUI) com detalhes sobre as medidas de segurança das equipes e da população testada.

Outras duas etapas dessa mesma pesquisa ainda devem acontecer a cada 15 dias — serão testados pouco mais de 33.000 moradores em cada uma das três rodadas da pesquisa.

Sites de notícias de outros municípios do país mostram que a ação desses agentes na última quarta-feira (14) chegou a ser levada à polícia após denúncias da população que desconhecia a pesquisa. Em Araçuba, município de São Paulo, dois pesquisadores foram levados para a delegacia porque não souberam responder se tinham autorização dos órgãos competentes da Saúde para realizar os testes.

EM CAMPOS

A reportagem do Jornal Terceira Via questionou a Prefeitura de Campos se o município é dos 133 escolhidos pelo IBOPE para a realização da pesquisa e pediu mais detalhes. Em nota, a prefeitura informou apenas que “a Secretaria Municipal de Saúde não foi informada sobre esta ação no município”.

Os jornalistas entraram em contato com o IBOPE que confirmou que Campos é uma das cidades escolhidas para a realização da pesquisa. Ainda segundo a empresa, “houve uma falha de comunicação com as vigilâncias sanitárias” porque os ofícios não chegaram em tempo para algumas secretarias municipais de saúde. Entretanto, “um dia antes do início dessa pesquisa, foi enviado um email informando sobre a realização dessa estudo para os prefeitos das 133 cidades nas quais estão sendo coletados os dados”.