Coluna do Balbi | Enfermeira campista na linha de frente de hospital americano

Confira a entrevista e outras notas pelo diretor de jornalismo do Jornal Terceira Via, Aloysio Balbi

Coluna do Balbi
Por Coluna do Balbi
11 de maio de 2020 - 0h01

Essa coluna entrevistou e enfermeira campista Mayra Griffin que há 10 anos, mora dos Estados Unidos, mais precisamente na cidade do Houston, onde os casos de coronavírus cresce. Filha do médico campista Sérgio Peixoto, casada com Éric Griffin e mãe de Éric e Matheos, ela conta como enfrente a pandemia na linha de frente tão longe de onde nasceu.

Você é campista, mas já é cidadã americana, e de certa forma como enfermeira está na linha de frente da pandemia em Houston, no Texas, onde os números de casos do Covid-19 está aumentando. Como estão as coisas ai?

Hoje o número de mortos chegava a 200 aqui, o que considero um baixo para uma cidade no porte de Houston e comparado com outras cidades como NY, onde os números
São bem maiores. Meu hospital, que e um hospital de grande porte. Ele implantou medidas bem agressivas para conter a propagação: triagem e apenas uma entrada de acesso para todos os empregados; triagem de todas as gestantes que chegam, mesmo as sem sintomas; proibição que os acompanhantes entrem e saiam, entre muitas outras.

Imaginou que um dia você que é filha de médico em Campos, iria morar nos Estados Unidos e viver tão de perto um dos piores momentos na humanidade? Qual é a sensação?

Nunca! Nem de longe! Espiritualmente a sensação que tenho e a de que os juízos de Deus estão para cair sobre a terra. Profissionalmente, a sensação e de insegurança. A enfermagem nos EUA e bem especializada, mas muitos de nós somos levamos a trabalhar, sem o devido treino, em áreas nas quais não estamos familiarizados e que não são parte da nossa especialidade. E não há escolha! Isso tem acontecido por falta de pessoal para cobrir os turnos. Trabalho na obstetrícia e os bebês tem que ser separados das mães quando as mesmas testam positivo. Bem triste.

A enfermagem nos Estados Unidos bem antes do Brasil havia conquistado status de profissão essencial e de ponta na área médica. Você diria que enfermeiros e enfermeiras como os médicos estão sendo fundamentais neste momento?

Sem dúvida! E uma profissão muito bonita pela oportunidade se doar pelo outro, e também bem valorizada aqui. Mas ao mesmo tempo bem difícil, especialmente em um momento como esse, tão emotivo para todos nós. A população se mostra agradecida espalhando por todo lado cartazes que nos parabenizam como heróis. Empresas também disponibilizam serviços e produtos gratuitos, para expressar reconhecimento aos profissionais da área.

Já se fala que o epicentro do vírus que no momento está centrado nos Estados Unidos será no Brasil. Como a situação do Brasil está sendo avaliada pelos profissionais de saúde ai nos Estados Unidos?

Tem sido dito que a passividade é por falta de recursos do Brasil para lidar com o vírus e isso significaria uma maior propagação. Por isso, é muito importante a conscientização individual de que o distanciamento social não é frescura. Isso e bem difícil para nossa cultura campista (e brasileira) de querer sempre abraçar e estar junto, mas se faz necessário no momento. Além de lavar bem as mãos e usar máscara quando indispensável estar em público.

Qual mensagem você mandaria para os enfermeiros e todos da área de Saúde de Campos, sua terra natal sobre essa crise sanitária que está mudando a face do mundo.

Que se protejam, trabalhem em proteger os que os cercam e eduquem a população. Também diria que trabalhem a fé de vocês, voltando-se a Bíblia e olhando para Deus, pois tal situação sem precedentes exigira de vocês uma fé igualmente sem precedentes. Sugiro o site Novo Tempo (www.novotempo.com) para auxiliar espiritualmente aos que desejarem. Vocês são heróis e estão fazendo história!

NOTAS

Tonico chorou
O artista campista Tônico Pereira, um ator gigante, não acreditou na entrevista que a secretária de Cultura, Regina Duarte concedeu a CNN/Brasil na semana passada. Tanto não acreditou que deu um depoimento emocionado no qual chorou tamanha indignação. Artista sensível. Já sua colega que está no poder nem tanto.

Arquitetura em alta
Em Campos, nestes tempos de quarentena, os profissionais da área de arquitetura estão trabalhando mais do que esperavam. Como as pessoas estão em casa, os que tem algum dinheiro querem adaptações e até decorações de ambientes. Quando tudo voltar ao normal o setor prevê um boom, porque muita gente tende a transformar paredes em largas janelas e por ai segue.