Em dias sombrios, Brasil cultiva o caos criando sua própria crise política

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Guilherme Belido Escreve
Por Guilherme Belido
10 de maio de 2020 - 0h01

Em dias sombrios, Brasil cultiva o caos criando sua própria crise política

País sob forte risco de se tornar o epicentro da Covid-19 no mundo e o que diremos: E daí? Fazer o quê?

Na simples observação do dia-a-dia, a vida nos mostra que acontecimentos dos mais diferentes matizes são melhor compreendidos quando vistos – ou revistos – depois de certo tempo.

É o que se chama de olhar frio, à distância, quando a poeira abaixou e o episódio objeto de análise fica mais claro.

No ditado popular, denomina-se como “cabeça fria”, afastando-se o calor do momento, o que permite não apenas visão nítida, mas, principalmente, que ânimos exaltados não venham turbar a compreensão que se deseja alcançar sem distrações que induzam a erros.

Se assim é no cotidiano, na política, então, a História nos deixa como lição que o tempo é, de fato, ‘o senhor da razão’, com frequência oferecendo melhor interpretação de determinado fato quando este é visto à frente e, aí sim, revestido de isenção.

Muito bem. Todas essas linhas gastas para dizer que os textos publicados nesta página, que por ofício podem se restringir a noticiar o fato, outras vezes interpretá-lo, outras, ainda, analisá-lo e, numa quarta vertente, opinar sobre o fato – lembrando que as três últimas, apesar das ‘aparências’, jornalisticamente são abordagens distintas –, nesta oportunidade deixa para o leitor mais uma interrogação do que qualquer outra coisa.

Faz apenas um relato – frio e seco – sem a menor indução de nada sobre nada. Discorre sobre os recentes episódios protagonizados pelo presidente Jair Bolsonaro, sem emitir um pingo de juízo de valor, senão sobre uma frase, única e específica, dita pelo mandatário.

Vejamos: a campanha presidencial de 2018 elevou sobremaneira a pressão no Brasil, produziu inimizades até entre pessoas da mesma família, dividiu o País mas, terminado o 2º turno, elegeu seu presidente sem qualquer senão acerca da vitória legítima e inquestionável. Ponto.

Digamos, então, que ao longo de 2019, todas as falas repudiadas pelos que não votaram nele, pela “esquerda”, tenham sido corretas.

Entendamos, também, que o presidente exerceu o livre-arbítrio de ofender a imprensa (que, aliás, sempre teve toda má vontade com ele), de defender a ditadura, de ‘rememorar’ o golpe de 64 e de usar as redes sociais como se tuíter fosse porta-voz da Presidência.

Seguindo: de criticar abertamente os congressistas, de dizer que não houve tortura no Brasil, de silenciar acerca das manifestações – também pelas redes sociais – de seus filhos, de indicar um deles, o deputado Eduardo Bolsonaro, como embaixador em Washington e de não considerar as queimadas da Amazônia como algo inaceitável.

Mas vamos em frente: digamos, ainda, que tenha todo o direito de se opor ao distanciamento social, de contrariar os organismos de Saúde Pública e promover, ele próprio, aglomerações. De demitir o ex-ministro da Saúde quando o aperto no isolamento parecia conter o espalhamento do vírus e de participar de manifestações que pediam o fechamento do Congresso, do STF, a intervenção militar a volta do AI-5.

Por fim, consideremos que Bolsonaro está correto ao dizer que quem manda é ele e que ele é a Constituição. Que está certo, também, ao trocar o superintendente da Polícia Federal, que “chegou ao limite” e, ainda, que tem “o apoio das Forças Armadas” – sem detalhar o que isso significa.

Ok. Em linhas gerais, é assim que o presidente governa. E seus eleitores – cujo número vem caindo juntamente com sua popularidade – o apoiam integralmente.

Assim, não tendo o texto, até aqui, ido além de relatos, voltemos à questão abordada inicialmente – de que é preciso tempo e distância para melhor analisar este ou aquele pronunciamento – pergunta-se: o que os apoiadores de Bolsonaro pensam sobre o presidente da República, o líder da nação, ter dito: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?“– referindo-se aos brasileiros que estão morrendo de coronavírus, levando em conta, em especial, o sofrimento e a dor das famílias das vítimas.

Analisemos só isso. Foi o nosso presidente quem disse.

O restante, a gente deixa pra lá.

VIA EXPRESSA

Aumento de vendas

Não deixa de ser uma contradição, mas alguns estabelecimentos em Campos, felizmente, estão conseguindo aumentar as vendas neste período de pandemia. Explica-se: casas de lanches, por exemplo, que antes faziam pouco delivery e mais vendas presenciais, tiveram acréscimo de tal ordem nas entregas, que no resultado geral o faturamento cresceu.

O mesmo verifica-se em supermercados de pequeno e médio porte, que não estão dando conta dos pedidos. Outro motivo fica por conta que as lanchonetes e churrasquinhos que não adotaram o sistema delivery, estão de portas fechadas, beneficiando as que permaneceram abertas.

Ao menos, uma boa notícia em meio ao caos econômico, visto que alguns estão conseguindo manter o negócio e segurar os empregos.

Supermercados

As constantes mudanças de horário, dado à imprevisibilidade da pandemia, deixa o consumidor perdido. Sobre os dias de funcionamento de horário, nova alteração: a partir de domingo, dia 10, estarão abertos no horário de 08 às 14. Os demais dias da semana seguem inalterados: de 7 da manhã às 21hs.

Passou em branco

Apesar da rendição do Japão só ter ocorrido no início de setembro de 1945, oficialmente decretando o fim do conflito mundial, na prática a 2ª Grande Guerra acabou com a derrota da Alemanha nazista – líder do Eixo –, que iniciou os combates armados em 1939.

Em 08 de Maio de 1945 chegava ao fim o Terceiro Reich de Adolf Hitler, com a rendição incondicional da Alemanha.

Este ano, com a pandemia, as comemorações pelos 75 anos do fim da guerra passaram quase em branco. (*Na verdade, Berlim foi invadida e tomada pelo Exército Vermelho da União Soviética uma semana antes, em 30 de abril. Mas o 08 de Maio é considerado a data oficial)

Perda

Grandes figuras do Brasil, infelizmente mortas durante a pandemia, não estão sendo homenageadas à altura do que realizaram. A Covid-19 ocupa praticamente todo o noticiário.

Aldir Blanc, um dos maiores nomes da música brasileira, morreu vítima de coronavírus, no último 04 de maio. Tinha 73 anos.

Para não ir muito longe, foi o autor de ‘O Bêbado e a Equilibrista”, que na voz de Elis Regina virou o Hino da Anistia. Pouca gente sabe, Blanc era médico, mas abandonou a psiquiatria para se dedicar à música.

Perda I

A radialista Daisy Lúcidi, de 90 anos, morreu na quinta-feira (7), no Hospital São Lucas, em Copacabana. O destaque para ‘radialista’ não se dá ao acaso: Daisy comandou durante 46 anos, com enorme sucesso, o programa “Alô Daisy”, na Rádio Nacional – por décadas a principal rádio brasileira.

Como atriz, além de teatro, participou de inúmeras novelas na Globo, tendo feito parte do primeiro elenco da emissora. Ingressou, também, na política, com destacada atuação como vereadora e deputada estadual do Rio por quase 20 anos.

Grave advertência

A semana que passou foi a mais drástica desde que começou a pandemia, com seguidos dias registrando número de óbitos acima de 600 pessoas. Na sexta-feira (08), foram 751 mortes. Antes, os recordes ficavam na casa de 400.

A questão é que o Brasil, principalmente após a entrada de Teich, parece estar sempre um passo atrás da Covid-19. A constatação é da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que cobra um plano de ação para combate à doença, advertindo que “se nada for feito, pronunciamentos do governo se resumirão a informar número de mortos” – disseram os cientistas.

Epicentro da Covid

Assustada com a velocidade com que o novo coronavírus vem se espalhando no Brasil, a população, já traumatizada com a falta de estrutura na Saúde Pública e com os graves problemas financeiros, vive a angústia tenebrosa de que o País possa virar o novo epicentro mundial da doença. Segundo os especialistas, só um severo isolamento, talvez intercalado com ‘lockdown’, possa nos livrar do pior.