Opinião | Campos sob uma tempestade perfeita

Parece que são nuvens distantes, mas podem provocar uma enxurrada capaz de levar na correnteza milhares de postos de trabalho

Opinião
Por Editorial
3 de maio de 2020 - 6h30

Reportagem Especial desta edição trata de um assunto delicado para a economia de Campos, que sofre com o coronavírus, e que misturado com a crise do petróleo, forma o que os americanos chamam de tempestade perfeita.

A previsão dos novos tempos, realmente são é boa. Após o preço do petróleo cair abaixo dos US$ 20 por barril na Inglaterra e despencar 25% nos Estados Unidos, produtores de petróleo se preparam para tempos difíceis.

Parece que são nuvens distantes, mas podem provocar uma enxurrada capaz de levar na correnteza milhares de postos de trabalho. Os meteorologistas assim como os economistas estão pálidos e batem cabeça ao tratar do assunto.

Mesmo com a alta do dólar americano, moeda em que são pagos royalties e participações especiais, a Prefeitura de Campos registrou, em abril, retração de 18,3% no valor da compensação em relação ao mês de março. Tempos ruins.

Os repórteres OCINEI TRINDADE e MARCOS CURVELLO pesquisaram no olho do furacão. Relatam que a Bacia de Campos, que historicamente foi a maior produtora do país, perdeu relevância nos últimos anos para a Bacia de Santos (SP), após descobertas
de grandes campos produtores do pré-sal na região vizinha.

Eles ouviram o cientista social José Luís Vianna Cruz, responsável pelo programa InfoRoyalties da Universidade Cândido Mendes. José Luís considera a questão mundial do petróleo muito complexa pelo grau elevado de imprevisibilidade e volatilidade.

Além das nuvens negras pairam no ar outras carregadas de incerteza como a votação no Supremo Tribunal Federal – STF- sobre a partilha dos royalties do petróleo, que seria na semana passada, mas que foi retirada de pauta.

Caso o STF, que não marcou uma nova data para votar a matéria, casse a liminar que mantém os royalties dos municípios produtores, estes vão viver o famoso abraço dos afogados em um mar de problemas provocados por essa decisão.

Diante de uma tempestade dessa é imprevisível saber se todos os investimentos públicos e programas sociais vão conseguir se abrigar sob o mesmo guarda-chuva.