As mensagens da Covid 19

No caso das notícias, é preciso entender que não cabe ao jornalismo ser mecanismo de calmaria, como se fosse obrigado a achatar a curva do coronavírus

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Por Cláudio Andrade
8 de abril de 2020 - 13h06

A chegada do coronavírus ao Brasil está sendo determinante para que esqueçamos a nossa vida passada e nos concentremos na vida nova, que ainda não sabemos quando irá acontecer.

Além dos problemas atuais, trazidos pelo vírus, muitos outros foram descortinados e demonstram que nossos governantes nunca foram cuidadosos com os problemas sociais e não investiram o mínimo necessário nos estudos científicos.

Com uma enorme quantidade de comunidades carentes, com grupos familiares sem água potável e esgoto tratado, o coronavírus tem condições de se alastrar de forma absurda nessas localidades.

A Covid-19 provou que a vida é nosso bem maior e quando ela está ameaçada há a necessidade de trabalharmos conjuntamente, visando reduzir mortes e, para isso, os setores públicos de saúde precisam estar aptos.

Nunca se discutiu tanto sobre respiradores mecânicos, leitos de UTI, e Equipamento de Proteção Individual, o EPI. Jamais estivemos diante de um medo global, real e perigoso.

Por outro lado, estamos assistindo a uma imprensa que cresce a cada dia. Vários canais de televisão estão com jornalistas se desdobrando na busca das melhores informações, sejam elas boas ou ruins.

No caso das notícias acerca da Covid-19, precisamos entender que não cabe ao jornalismo ser um mecanismo de calmaria, como se a imprensa tivesse a obrigação de achatar a curva do coronavírus. Quem fará isso somos nós com o isolamento social, lavando as mãos e obedecendo as regras dispostas pela Organização Mundial de Saúde.

Dificilmente teremos uma vida igual a que tínhamos há um mês em nosso Brasil. Muita coisa vai mudar, hábitos serão modificados, as relações serão repensadas e isso nós precisamos entender de uma vez por todas.

As relações políticas precisam amadurecer. Não há mais espaço para comportamentos fundamentalistas de direita e esquerda e sim de ações propositivas e conjuntas com um objetivo único que é salvar vidas.

A polêmica em relação à abertura do comércio precisa ser debatida sem esquizofrenia. Não restam dúvidas que a economia precisa girar e que há empresas que não possuem qualquer condição de manter seus funcionários trabalhando sem que haja lucro sendo obtido.

Porém, estamos diante de uma escolha complexa entre salvar vidas e liberar o comércio. Nesse momento entendo eficaz o comércio parado, porém, isso não poderá ser mantido por muito tempo. Sendo assim, novas normas, costumes e hábitos também precisarão ser aplicados pelas empresas.

Que possamos passar o mês de abril comemorando curas e chorando por poucas mortes e até o achatamento da curva, que tenhamos responsabilidades individuais para alcançarmos resultados coletivos positivos.

Fiquem em casa!

Lavem as mãos!