Mercado Municipal pode se tornar o principal foco de propagação de coronavírus em Campos

Feira livre atrai moradores de todo o canto do município, mas segue sem controle e higienização por parte da prefeitura

Geral
Por Blog dos Jornalistas
3 de abril de 2020 - 14h31

Sem fiscalização, Mercado não segue orientações (Foto: JTV)

Grande circulação de pessoas, falta de higiene, aglomeração e presença de idosos podem ser considerados alguns dos fatores que formam um cenário ideal para o contágio e proliferação do novo coronavírus. E tudo isso pode ser visto no Mercado Municipal de Campos e nos seus arredores. No local, as pessoas parecem estar alheias ao grande medo e preocupação com a doença que assola o mundo e já fez mais de um milhão de vítimas.

É o Mercado Municipal o preferido dos idosos. Basta circular pelo local para perceber o grande número de pessoas desta idade que são frequentadoras assíduas. É também por lá que passam pessoas de todos os cantos da cidade, inclusive do interior e das áreas mais afastadas. Uma pessoa contaminada neste ambiente pode iniciar uma transmissão que pode se estender rapidamente a vários bairros e distritos do município.

É sabido que, por enquanto, a cidade tem apenas um caso confirmado da Covid-19. Mas também é de conhecimento de todos que há outros casos em investigação e que em todo o mundo há casos não notificados. Além disso, são muitos os infectados que não possuem qualquer sintoma da doença, mas podem transmiti-la para outros, principalmente aqueles mais vulneráveis que fazem parte do grupo de risco.

Restaurante funciona livremente no mercado (foto: JTV)

Enquanto no Centro de Campos muitos lojistas amargam os prejuízos financeiros por terem sido obrigados a fechar suas portas e cumprir os decretos impostos pelos governos municipal e estadual, no Mercado Municipal parece que a ordem ainda não chegou. Os produtos vendidos na área da feira são alimentos, que são considerados itens essenciais, o que justifica a não interrupção das atividades. Porém, é necessário cobrar dos órgãos competentes a devida orientação, higienização e ordem no local. Enquanto nos supermercados, atendentes trabalham de máscaras, higienizam carrinhos de compras e demarcam o chão para evitar a aproximação de clientes, no mercado não há qualquer tipo de cuidado.

Outra questão observada no Mercado Municipal é o funcionamento de lanchonetes e lojas que não são consideradas como essenciais. São comércios que vendem ervas, produtos religiosos e até churrasco e cerveja, descumprindo o decreto em vigência. Enquanto a prefeitura exige do setor privado, o Mercado Municipal segue livre.

A Postura Municipal informou que já contabilizou 503 denúncias e fez 447 vistorias. No total, 45 multas já foram aplicadas pelo descumprimento do decreto.

Após a visita ao mercado, a reportagem questionou o órgão sobre quais medidas estão sendo tomadas para evitar uma possível circulação do vírus no Mercado Municipal e se os feirantes receberam algum tipo de orientação sobre cuidados de higiene durante a quarentena. Também foi questionado o porquê de lojas como lanchonetes e de venda de produtos religiosos continuarem em funcionamento e como a Postura pode agir nestes casos. A reportagem aguarda a resposta.

 

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