Fake News e Coronavírus em Campos são destaques em entrevistas

A médica epidemiologista Beth Tudesco e a jornalista Cláudia Eleonora falam ao Terceira Via

Entrevista
Por Ocinei Trindade
30 de março de 2020 - 18h40

Epidemiologista Elizabeth Tudesco

A edição impressa do Jornal Terceira Via desta semana (29 de março a 4 de abril) destaca reportagem especial sobre fake news em tempos de pandemia do novo coronavírus e da Covid-19. A matéria está disponível nas versões impressa e digital, além do conteúdo no site de notícias. Destacamos duas profissionais que abordam o assunto, a médica epidemiologista Elizabeth Tudesco e a jornalista Cláudia Eleonora. Em duas entrevistas, elas falam sobre cobertura jornalística, notícias falsas e como lidar com a pandemia em Campos.

Elizabeth Tudesco – médica epidemiologista

As medidas adotadas pelos governos estadual e municipal de promover o isolamento social é adequado e por quê?

Nós estamos na fase de ascensão dos casos. Em alguns locais, o convívio populacional é maior, onde houver menos convívio, serão menos casos. A higiene pessoal com água sabão, higienização das mãos, álcool gel 70 por cento, o isolamento previnem a disseminação. O distanciamento de pessoas de um metro de uma pessoa e outra pelo menos deve ser adotado. Perdigotos ou saliva podem transmitir o vírus.

A Covid-19 é uma nova doença e sem tratamento por enquanto. Quais as principais ações para evitar o contágio?

Comento isto na respostas anterior. Deve-se dar mais atenção principalmente para os idosos, gestantes, quem tem imunodepressão. A limpeza e o cuidado têm que ser intensificados. A doença é nova. Muitos estudos serão realizados, mas de janeiro pra cá não deu ainda para os pesquisadores chegarem a uma conclusão definitiva. Tudo agora é feito baseado em infecções passadas.

Se alguém contrair o novo coronavírus, que procedimento deve adotar?

Nós temos que saber o que é um resfriado, uma gripe e um coronavírus. A suspeita pode existir, mas só o exame laboratorial que pode apontar. São recomendados tratamento convencional para isolar pacientes com suspeitas, e limpar o ambiente em comum. Idosos e portadores de doenças crônicas precisam redobrar os cuidados.

Sabemos que não há como fazer testes em massa para identificar o coronavírus, sendo assim, o que a população deve fazer?

Qualquer caso suspeito, como resfriado, febre, falta de ar, tosse, sintomas. A Vigilância em Saúde precisa receber essa notificação. As pessoas precisam informar aos órgãos competentes qualquer sintoma.

Como profissional da medicina, como a senhora reage a esse tanto de receita pra fazer isso ou aquilo, tomar esse ou aquele remédio nas redes sociais? Como encarar as Fake News?

Médicos e profissionais de saúde têm normas técnicas e seguem a Anvisa, o Ministério da Saúde, Secretaria de Saúde. É preciso confirmar as fontes. As vezes a gente pode cair na armadilha de transmitir informações falsas ou equivocadas. Isto deve ser evitado procurando fontes confiáveis como os que eu citei.

 

Jornalista Cláudia Eleonora (Foto: Acervo Pessoal)

Cláudia Eleonora – jornalista e gerente de jornalismo da Record TV

Como jornalista, como lidar nestes tempos digitais com notícias falsas, sobretudo as compartilhadas em ferramentas como WhatsApp?

Nesse período de pandemia, informações de whatsapp triplicam. É preciso cuidar: checar, checar e checar. A todo momento recebemos conteúdo, mas sem fonte oficial não se deve publicar, nem repassar. Não importa se eu vou dar depois a notícia. Vale a informação de qualidade correta, não o furo de reportagem.

As redes sociais ajudam ou atrapalham quando se quer divulgar conteúdos jornalísticos? Como o público pode separar do que é fato e fake nas mídias digitais?

Elas podem ajudar quando os veículos querem agregar a audiência com o telespectador.  Pode-se trabalhar fazendo compartilhamentos de redes sociais. Atrapalha quando deparamos com uma série de informações inverídicas ou falsas sobre o assunto que você está tratando. Esse alcance tem a velocidade muito maior. Muitas vezes a gente espera um telejornal para divulgar o assunto, mas a gente percebe a notícia sendo espalhada inadequadamente nas redes.

O que é importante destacar sobre as pautas do país e do mundo sobre o novo coronavírus, e atuação da imprensa neste momento?

A imprensa tem um papel fundamental sobre a o coronavírus que paralisou nações. A imprensa é indispensável nesse momento com informação correta em vez do pânico. Tratar das notícias com seriedade e delicadeza ao mesmo tempo. É importante trabalhar a informação com prevenção, principalmente nesse momento de isolamento social, e também para informar sobre todas as ações para conter o avanço da doença.

Comente o assunto coronavírus e fake news?

É importante o público discernir o que é fato e o que é fake sobre tudo que está sendo divulgado. Um título sensacionalista já pode dar sinais que aquela notícia não é verdadeira. A gente deve checar a data daquilo que está sendo compartilhado, se realmente aconteceu naquele período em que foi feita a referência. Checar em outros sites sérios se a notícia procede ou não. Há ferramentas na Internet para apontar a notícia é falsa ou não.

Poderia comparar a questão da apuração e publicação de notícias em veículos atualmente em relação aos anteriores?

Antigamente, a apuração era muito mais difícil por causa do acesso. Melhorou com uso de celular e internet encontrar as fontes. O tratamento da informação anteriormente era mais analítico e cuidadoso. Hoje, a gente tem que trabalhar com a velocidade da informação. Às vezes, chega de maneira rasa sem aprofundar. São importantes os novos formatos da mídia eletrônica. O que é sério, é um trabalho árduo. O que se produz com seriedade com checagem. Já há veículos que revelam com rapidez uma notícia rasa. A gente precisa se adaptar em todos os veículos. O público quando quer realmente checar, ele vai procurar os veículos tradicionais, ouvindo todos os lados, a certeza do respeito ao leitor e telespectador para garantir a credibilidade da noticia.

Destaque o que considere importante nessa cobertura sobre a pandemia do novo coronavírus

É relevante tratar com consciência sobre um assunto tão sério e grave como o coronavírus. É importante chamar a  atenção do público para  buscar informações e orientações nos veículos tradicionais. A televisão em canal aberto ou fechado tem notoriedade. O público acredita muito mais na televisão, no jornal impresso e nas rede sociais, pela ordem,segundo pesquisa do Datafolha. Os jornalistas fazem um trabalho com muita seriedade, se arriscando, na linha de frente. Saímos de casa todos os dias para buscar informação e conteúdo para tornar essa luta mais branda na recessão mundial. Estamos trabalhando de forma correta para passarmos informações corretas.