Mulheres ganham destaque no futevôlei

Quebrando preconceitos, elas vêm se destacando nas quadras de areia e disputam torneios entre os homens

Campos
Por Kamilla Póvoa
2 de março de 2020 - 8h53

As regras do jogo são similares às do vôlei, mas usando pés, pernas e cabeça. (Carlos Grevi)

Originado nas praias do Rio de Janeiro, em 1960, o futevôlei se espalhou pelo Brasil e já atravessou o mundo, e a modalidade vem crescendo a cada bola jogada para o alto, principalmente entre as mulheres, mas o preconceito entre elas e os homens nessa modalidade ainda existe.

A cabeleireira Sheila Barcelos pratica futevôlei há quase um ano e viu no esporte uma forma de sair da rotina, além de reunir a família – os dois filhos e o marido jogam, e também de criar uma verdadeira paixão, pois começou do zero na modalidade. Mas, para ela, ainda existe certa resistência na hora de formar as duplas mistas na modalidade.

“Mesmo a gente sabendo jogar, eles acham que a gente vai atrapalhar. Não sabendo eles, que tem muitas mulheres que jogam melhor que os homens. Porque não tem rivalidade, é uma parceria, ele depende de mim e eu dependo dele. Eu não entro na quadra para jogar sozinha e nem ele, e assim vai quebrando o gelo e a desigualdade vai acabando. Se eles são capazes de entrar em uma quadra e jogar, a gente também pode”, explicou.

A professora de Educação Física, Vânia Cruz, da Fundação Municipal de Esportes (FME), em Campos dos Goytacazes, observou uma forte explosão nos últimos anos pela procura da prática do futevôlei, principalmente nas praias e nas grandes cidades, que vem ganhando essa força e, claro, entre o feminino. Mas, para ela, o esporte ainda precisa de mais valorização, além de não ser um esporte olímpico e tão pouco ensinado na faculdade de Educação Física.

A professora de Educação Física, Vânia Cruz, da Fundação Municipal de Esportes (FME), em Campos, observou uma forte explosão nos últimos anos pela procura da prática do futevôlei. (Foto: Carlos Grevi)

“Hoje, o crescimento do feminino, do misto, é bastante considerável. Sempre existiu um preconceito muito grande. Eu jogo já tem 15 anos e passei momentos bem difíceis, onde eu queria jogar e era a única menina da quadra. Hoje, isso vem diminuindo, e os homens e os meninos vêm entendendo que é um esporte totalmente democrático e vem melhorando essa questão, embora ainda exista o preconceito”, disse a professora.

A estudante, Myllena Rangel, começou a gostar do futevôlei, apenas com o olhar. No início, ela observou o irmão praticar na pracinha do bairro IPS e o pediu para jogar, só que ele tinha certo receio em deixá-la jogar no meio dos meninos.

“Teve um dia que ele falou com o treinador para que eu pudesse treinar para ver se ia dar certo e foi daí que eu conheci o futevôlei, e não parei mais. Hoje, eu vejo muitas meninas que nem imaginaria que jogasse e arrebentam nesse esporte. Nós também incentivamos umas as outras, quando elas estão para baixo”, falou.

A estudante, Myllena Rangel, começou a gostar do futevôlei, apenas com o olhar. (Foto: Carlos Grevi)

O futevôlei segue crescendo cada vez mais e muitos craques serão revelados, mas ele, definitivamente deixou de ser do clube do bolinha.

Sobre o esporte:

Feminino x Masculino

A diferença de gênero mais conhecida no esporte é com relação ao uso do peito, que é mais comum para homens do que para mulheres. Mas assim como no futebol, o futevôlei não é diferente no que diz respeito ao preconceito com jogadoras do sexo feminino.

Regras

As regras do jogo são similares às do vôlei, mas usando pés, pernas e cabeça; como no futebol, vale tudo menos os braços, antebraços e as mãos. É um esporte com bola, numa quadra de vôlei de praia, com as medidas de 9 m de largura e 18 m de comprimento, dividida ao meio por uma rede com 2,20 m de altura.

A competição é composta por dois (2×2), três (3×3) ou quatro (4×4) jogadores de cada lado da quadra, mas oficialmente mesmo, só existe a primeira opção. Como no vôlei, é permitido um máximo de três toques na bola, podendo passar para o outro lado do campo, por cima da rede, de primeira, ou de segunda.

O jogo é disputado em sets (de 18 pontos, sem vantagem). Os fundamentos são basicamente saque, recepção, passe, ataque e defesa. Mas, diferentemente do vôlei, só se usa pé, coxa, peito, cabeça e ombro. Nada de mãos e braços!

O futevôlei segue crescendo cada vez mais e muitos craques serão revelados. (Foto: Carlos Grevi)