Agora, sim, 2020 pra valer

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Guilherme Belido Escreve
Por Guilherme Belido
1 de março de 2020 - 0h01

Agora, sim, 2020 pra valer

Como dita a tradição, na semana pós-carnaval é que o ano começa de fato.
Desta vez, com vídeo do presidente gerando forte turbulência política

Com gigantescos desafios pela frente, é espantoso que o Brasil produza problemas com os quais não teria que conviver, absolutamente desnecessários e que desaguam em inaceitável desvio das gravíssimas dificuldades que exigem enfrentamento e solução imediatas, para ‘tratar’ de questões que não deveriam existir e que apequenam este País como se fosse uma republiqueta de bananas.
Em brevíssimas pinceladas, vejamos:

1) O Brasil necessita, ‘para ontem’, de uma política ambiental eficiente, capaz de aplacar os efeitos das alterações do clima, que ano após ano trazem desgraça e tragédia para milhões. São pessoas que sofrem com as sucessivas enchentes e inundações, que levam o pouco que conseguiram amealhar na vida, que perdem suas casas, quando não perdem a vida.
Mas, antes disso, é preciso ao menos que se reconheça a realidade da mudança climática, porque os investimentos em prevenção e obras de escoamento vão levar 20 anos para tirar o Brasil do atraso tecnológico provocado pela negligência e ignorância.
Será – pergunta-se – que não viram a catástrofe que os recentes temporais provocaram em São Paulo, no Rio, em Minas Gerais e nos outros estados? No interior, cidades inteiras debaixo d’água. Enfim, por quanto tempo e quantos mais terão que morrer até que se enfrente o problema com seriedade e determinação?

2) A inacreditável situação do Ceará, cujo motim de policiais militares provocou sabe-se lá quantos mortos além dos “dados divulgados”, remete a quê? A um país de periferia do terceiro mundo, subdesenvolvido até a raiz do cabelo, ou ao Brasil continental que se arvora como a 9ª economia do mundo? Que vergonha!

3) Com a Saúde em frangalhos, amargando o retorno do sarampo, da pólio, da difteria, da rubéola – doenças que se pensava erradicadas há 50/60 anos – o que vai acontecer se o coronavírus se espalhar, cujo protocolo é desconhecido até pelos países mais desenvolvidos do mundo?

4), 5), 6)… Enfim, o texto já extrapolou as “brevíssimas pinceladas” sem citar a queda da produção industrial que em 2019 recuou em relação a 2018; no desemprego; no déficit habitacional; na violência generalizada; na Educação que só faz andar para trás; na lentidão das reformas, na miséria que cresce assustadoramente no Nordeste, e por aí segue…
Mais perguntas – Culpa exclusiva do governo do presidente Bolsonaro? Evidente que não. Afinal, com um ano e dois meses de administração, não faz sentido algum colocar sobre seus ombros questões que de longe assolam o Brasil.
Por outro lado, o País não deveria estar um pouquinho melhor? Bolsonaro ‘recebeu’ o Brasil das mãos de Michel Temer muito melhor do que este de Dilma, e de lá pra cá o Brasil avançou em quê? Ou será que daqui mais à frente teremos que reconhecer que Temer fez mais, e melhor, e sem tanto barulho, do que o capitão com seus ‘filhos presidenciais’?
As respostas, de certo, virão depois. Ou, como diria o Barão de Itararé, “as consequências vêm depois”. Contudo, as falas desastrosas, imprudentes e desrespeitosas, no todo alheias à liturgia do cargo, subiram de tom neste início de 2020 acima do que se viu ano passado.
Então, torçamos para que outra famosa frase do Barão (“De onde menos se espera, daí é que não sai nada”), não se aplique ao presidente. Por outro lado, compartilhar vídeo convocando para uma manifestação contra o Congresso e o STF, é algo de consequências imprevisíveis.

Vídeo divulgado via Whats é perturbador

E certo que desde que assumiu o cargo, o presidente assusta mais pelos ‘pronunciamentos’ do que pelas ações propriamente ditas. Ora nega que houve ditadura no Brasil, ora que a democracia só existe porque as Forças Armadas querem. É desrespeitoso com outros líderes mundiais enquanto busca se espelhar em Trump. Falou em “rememorar o Golpe de 64”, cutucou Rodrigo Maia com “política velha”, quis indicar seu filho para embaixador em Washington e por aí foi…
E assim foi 2019 inteiro, numa estratégia que busca o embate permanente, com falas direcionadas para seus grupos de apoiadores mais ferrenhos, consolidando, assim, o núcleo principal de bolsonaristas. Contudo, se isso estivesse dando resultado, Bolsonaro não estaria perdendo popularidade como está.
O outro lado – Questões ideológicas à parte, que retornaram à política brasileira de forma equivocada – algo superado, em desuso – criam uma divisão que não aproveita a ninguém e atrapalha a todos. (Mas disso, a página cuidará em outra oportunidade).
Quem elegeu Bolsonaro levou em conta o Petrolão, o maior esquema de corrupção do mundo, com participação efetiva do PT, a exemplo do Mensalão de 2005, também com chancela do PT.
Mas os petistas fazem de conta que isso não aconteceu. Que a Lava Jato criou uma grande ficção e que os milhares de inquéritos, as centenas de prisões e a relação criminosa entre empresários corruptos e o setor público não passou de invenção. Paciência! O pior cego é que não quer ver.
Mas o voto em Bolsonaro mirou, também, no desenvolvimento e na melhoria de vida. Num Brasil livre do populismo e com políticas públicas em favor de toda a gente. E isso, ainda não se vê.
Limites – Suas falas excêntricas, por mais comuns que sejam, já estão passando dos limites. A última, onde através do Whats sugere manifestação contra o Congresso e o Supremo, é algo perturbador na medida em que para muitos coloca em xeque a própria democracia.
A reação das entidades, dos partidos e dos políticos, com destaque para a dura nota do ministro Celso de Mello, deixa claro a apreensão de risco institucional – o que vai além dos limites até agora suportados.

Repercussão sobre Ernesto Machado

Na última edição, o Terceira Via publicou matéria sobre o distrito de Ernesto Machado, ressalvando suas belezas e qualidade de vida.
Ocorre que, possivelmente por ser pouco retratado pela mídia, os moradores sentiram-se homenageados, orgulhosos do reconhecimento, o que gerou grande repercussão visto que o lugar tem sinal de Internet.
Além disso, como muita gente de Campos trabalha em São Fidélis e vice-versa, a matéria foi sobremaneira comentada. Entre as manifestações, durante culto da 1ª Igreja Batista, o pastor fez registro da publicação, o que para o Terceira Via é gratificante.
Além dos principais pontos de Ernesto Machado, o exemplar foi distribuído no Fórum de São Fidélis, na Prefeitura, na Defensoria Pública, no Ministério Público, no Departamento de Odontologia, em hotéis, padarias, lojas e outros estabelecimentos da cidade.
Dentro do projeto de expansão da circulação do Terceira Via, a meta é que nas próximas semanas o jornal chegue regularmente ao vizinho município e principais distritos.